quarta-feira, 1 de março de 2017

Investidores estrangeiros registam pedido para abrir banco privado de investimento em Díli

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Díli, 01 mar (Lusa) - Um grupo de investidores estrangeiros apresentou às autoridades timorenses um pedido de licença para a criação de um banco de capitais exclusivamente privados em Timor-Leste.

O pedido de licença para o "exercício de atividade bancária em Timor-Leste" foi apresentado pelo investidor Masoud Al Harthy, nacional de Omã, e pelos franceses Gilles Assouline e Laurent Imbert que já têm em Timor-Leste a empresa 3A Timor SA.

Num comunicado enviado à Lusa, o grupo de investidores explica que a 3A Timor SA faz parte de um grupo de sociedades internacionais "que pretende valorizar a experiência adquirida pelos seus sócios e fundadores do Banco ao longo de mais de 10 anos no corredor Ásia-Arábia-África".


O novo banco pretende, referem, "reforçar o sector financeiro e bancário em Timor-Leste" e ao mesmo tempo operar internacionalmente para canalizar para o país capitais de investimento externo.

Fonte próxima ao processo disse à Lusa que os investidores solicitaram o nível mais elevado da licença para exercício de todas as atividades financeiras, com um capital inicial de seis milhões de dólares (5,6 milhões de euros).

Querem ainda "expandir a sua atuação, aproveitando o enorme potencial das relações estratégicas de Timor-Leste com outros países, nomeadamente os pertencentes à CPLP e ao G7+, bem como a estreita ligação económica com os países membros da ASEAN e da Comunidade do Pacífico Sul", refere o comunicado.

O projeto dos investidores está a ser acompanhado pelo Governo através do Ministério do Planeamento e do Investimento Estratégico, liderado por Xanana Gusmão que tem lidado diretamente com investidores.

Fonte do seu gabinete disse à Lusa que o executivo timorense "considera fundamental para o desenvolvimento e fortalecimento do tecido económico empresarial nacional, que Timor-Leste disponha de um sector bancário competitivo".

Um setor, sublinha, "capaz de apoiar verdadeiramente os pequenos e médios empresários que procuram soluções de financiamento para a expansão dos seus negócios e que possibilite aos timorenses o acesso a condições bancárias para que possam abrir o seu primeiro 'negócio' e melhorar as suas condições de vida".

Além de baixar a taxa de juro de crédito em Timor-Leste (que ronda os 16%) o objetivo é introduzir um novo operador no mercado, criando um novo instrumento financeiro que facilite o acesso ao crédito e a outros serviços bancários.

A perceção, sublinha a fonte do Governo, é que é muito difícil aceder ao crédito enquanto forma de financiamento para projetos e que, mesmo quem consegue cumprir o nível de garantias exigido tem dificuldades com a elevada taxa de juro.

Os investidores assentam o seu projeto na captação de capitais estrangeiros que possam ter em Timor-Leste níveis de rentabilidade mais elevados do que noutros locais do planeta, criando assim capital para financiar outros projetos localmente.

O Banco Central tem até 105 dias para atribuir a licença provisória que dá, depois de concedida, um ano aos investidores para instalarem o novo banco sem que possam ainda começar a executar operações financeiras.

Quando tiverem o banco instalado solicitam depois uma licença permanente.

Fonte do gabinete de Xanana Gusmão explica que foi solicitada "celeridade" na emissão da licença porque os investidores querem avançar com o resto do processo rapidamente e estar a funcionar ainda no primeiro semestre do ano.

Com cargos de responsabilidade em várias empresas no Sultanato de Omã e noutros países do Médio Oriente, Masoud Al Harthy tem ligações ao grupo do Banco Muscat.

Os dois franceses são fundadores do Eagle Group of Companies, uma empresa ligada à gestão de financiamento de projetos em vários países.

ASP // FV.
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Publicação luso-timorense sem fins lucrativos

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