segunda-feira, 29 de maio de 2017

Fundo soberano de Timor-Leste durará 10 anos ao ritmo atual de gasto - Charles Schinner

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Lisboa, 29 mai (Lusa) - O investigador australiano Charles Schinner estimou hoje que o fundo soberano de Timor-Leste, criado para poupar e rentabilizar as receitas petrolíferas do país, vai durar apenas mais 10 anos, a manter-se o atual ritmo de gastos do governo.

"Mais de mil milhões de dólares são retirados todos os anos, especialmente para pagar à administração e tudo o que faz o governo. É de lá que sai o dinheiro para os grandes projetos de infraestrutura [em curso]", considerou o investigador da organização não-governamental timorense La'o Hamutuk.

O especialista australiano falava na Assembleia da República, em Lisboa, num debate que assinala os 25 anos da Plataforma Internacional de Juristas por Timor-Leste.

O Fundo Petrolífero de Timor-Leste é um fundo soberano criado em 2005 para recolher depósitos feitos pelo governo timorense de receitas geradas pelo petróleo e gás produzidos no país.

O balanço anual do fundo em finais de 2014 era de 16,5 mil milhões de dólares.


"Com os planos [de investimento] e ritmo de gastos atuais o fundo durará cerca de 10 anos. Esse período de tempo poderá ser suficiente para desenvolver a economia local", referiu Charles Schinner, que considera "errada" a estratégia atual do governo timorense para a aplicação desse dinheiro.

"A direção que o governo está a seguir é a de não olhar para coisas como a agricultura, a água, a educação ou a saúde. Estão mais interessados em grandes projetos: minas, fábricas de cimento, aeroportos, um grande porto para navios contentores", salientou o investigador.

Os gastos em agricultura, saúde e educação, criticou, têm vindo a descer nos últimos três anos.

Esse dinheiro, disse, deveria ser aplicado "em infra-estruturas básicas que sirvam as populações, e não construindo aeroportos e refinarias de combustíveis".

O atual plano governamental de desenvolvimento estratégico vai no seu sétimo ano de aplicação. Questionado sobre se este plano poderá ser invertido, Charles Schinner remeteu para as próximas eleições gerais.

"Há uma eleição em menos de dois meses. Muitos políticos timorenses agora já se dão conta que o petróleo se está a acabar. Quando começámos a falar que o petróleo se iria acabar, há cinco anos, ninguém nos deu ouvidos. As pessoas aprendem, as pessoas mudam. Até os políticos", realçou.

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Publicação luso-timorense sem fins lucrativos

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