quarta-feira, 5 de abril de 2017

LENDA DO CROCODILO

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O crocodilo, desde tempos desandados, tornou-se um animal sagrado muito respeitado pelos timorenses, a que chamam de “Avô”.

Este ser é tão respeitado e admirado pela população timorense que embeleza numerosos motivos tradicionais de esculturas ou tecidos, sendo um personagem habitual em lendas e contos infantis de Timor-Leste.

A evidência desse respeito é particularmente visível na encantadora «lenda do crocodilo» que retrata uma história linda de fascinar sobre o nascimento da amizade entre este animal sublime e um certo rapaz.

“Em tempos que já lá vão, vivia na ilha de Celebes um crocodilo muito velho, tão velho que não conseguia caçar os peixes do rio.

Certo dia, morto de fome, decidiu aventurar-se pelas margens em busca de algum porco ou cão distraído que lhe servisse de refeição. Andou, andou, até cair exausto e desesperado, sem forças para regressar à água.

Quem lhe valeu foi um rapaz simpático e robusto que teve pena dele e o arrastou pela cauda.

Em retribuição pelo serviço prestado, o crocodilo ofereceu-se para o transportar às costas sempre que ele quisesse navegar. Foi assim que começaram a viajar juntos.

Mas, apesar da amizade que sentia pelo rapaz, quando o crocodilo teve novamente fome lembrou-se de o comer. Antes, porém, quis ouvir a opinião dos outros animais e todos se mostraram indignados. Devorar quem o salvara? Que terrível ingratidão! Envergonhado e cheio de remorsos, o crocodilo resolveu partir para longe e recomeçar a sua vida onde ninguém o conhecesse.

Como o rapaz[1] era o único amigo que tinha, chamou-o e disse-lhe assim:

– Vem comigo à procura de um disco de ouro, que flutua nas ondas perto do sítio onde nasce o Sol. Quando o encontrarmos seremos felizes.

Mais uma vez viajaram juntos, agora sulcando o mar que parecia não ter fim, mas a certa altura o crocodilo percebeu que não podia continuar. Exausto, deteve-se na intenção de descansar apenas um instante mas, logo que parou, o corpo transformou-se numa ilha maravilhosa!

O rapaz, que se viu homem feito de um momento para o outro, verificou, encantado, que trazia ao peito o disco de ouro com que o crocodilo sonhara.

Percorreu então as praias, as colinas e as montanhas e compreendeu que aquela era a ilha dos seus sonhos. Instalou-se e escolheu o nome para a ilha. Chamou-lhe Timor, que significa “Oriente”».

[1] Na versão do Norte, o menino chama-se Alkisah, na do Sul chama-se Lokobere.

M. Azancot de Menezes – Jornal Tornado

*Secretário-Geral do Partido Socialista de Timor (PST) e Professor Universitário

*M.Azancotde Menezes, Díli – também colabora no Timor Agora
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Publicação luso-timorense sem fins lucrativos

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