domingo, 18 de fevereiro de 2018

Timor-Leste tenta último esforço para resolver impasse sobre poços de Greater Sunrise

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Díli, 17 fev (Lusa) - Timor-Leste, a Austrália e um consórcio de empresas petrolíferas tentam esta semana, sob mediação das Nações Unidas (ONU), chegar a um acordo para o desenvolvimento dos campos de Greater Sunrise, no Mar de Timor, essenciais para o financiamento timorense.

As reuniões, que decorrem em Kuala Lumpur, na Malásia, são as últimas antes do fim do trabalho de uma Comissão de Conciliação solicitada por Timor-Leste no âmbito da Convenção das Nações Unidas sobre a Lei do Mar (conhecida pela sigla UNCLOS).

Díli e Camberra conseguiram já, através da mediação dessa comissão, alcançar um acordo histórico para um tratado de delimitação de fronteiras marítimas, que vai ser assinado a 06 de março em Nova Iorque, na presença do secretário-geral da ONU, António Guterres.

Como a Lusa avançou no início deste mês, o acordo, cujos contornos exatos ainda não são conhecidos, coloca a linha de fronteira na posição defendida por Timor-Leste, ou seja, a meio caminho entre os dois países, como Díli sempre reivindicou.

A linha mediana resolve quase definitivamente as fronteiras na região, tendo depois Timor-Leste de concluir, com a Indonésia, a delimitação de outas zonas fronteiriças.

Apesar do êxito nas negociações do tratado, que foi esta semana aprovado pelo Governo timorense, a equipa liderada por Xanana Gusmão (ex-Presidente e negociador principal) e Agio Pereira, ministro de Estado no atual Governo e que vai assinar o documento em nome de Timor-Leste, não há ainda acordo sobre a exploração do Greater Sunrise.

Esta semana as redes sociais timorenses, incluindo páginas oficiais do partido presidido por Xanana Gusmão, o Congresso Nacional da Reconstrução Timorense, divulgaram uma suposta mensagem enviada pelo líder timorense em que este pede a todos que rezem pelo êxito das negociações.

A mensagem, em tétum, refere-se aos encontros de Kuala Lumpur e às duas alternativas de desenvolvimento do Greater Sunrise, com o gasoduto para Darwin ou para Beaçu, no sul de Timor-Leste.

Apelando à ajuda dos ancestrais para que apoiem a delegação timorense, a mensagem pede rezas a todos os timorenses, destacando em particular os estudantes, já que os recursos petrolíferos "também são o seu futuro".

"Peço que todos se mobilizem para ir à Missa rezar a Deus para que nos abençoe e ajude", lê-se na mensagem.

Em cima da mesa estão três potenciais cenários, a de uma exploração flutuante, defendida pelas petrolíferas que têm a concessão do Greater Sunrise - Woodside, ConocoPhillips, Royal Dutch Shell e Osaka Gas -, a ligação ao gasoduto já existente que liga outros poços no Mar de Timor a Darwin (norte da Austrália) ou a ligação por gasoduto ao sul de Timor-Leste.

A decisão determinará a partilha de receitas do recurso, com Timor-Leste a receber 70% se o gasoduto vier para território timorense e 80% se for para Darwin, segundo fonte conhecedora das negociações.

Localizados em 1974, os campos do Greater Sunrise contêm reservas estimadas de 5,1 triliões de pés cúbicos de gás e estão localizados no Mar de Timor, aproximadamente a 150 quilómetros a sudeste de Timor-Leste e a 450 quilómetros a noroeste de Darwin, na Austrália.

ASP // SR | Foto: GMN TV
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Publicação luso-timorense sem fins lucrativos

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