sábado, 23 de junho de 2018

O novo governo de Timor-Leste e o quase milagre da multiplicação dos corruptos

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Taur Matan Ruak, novo primeiro-ministro de Timor-Leste, foi ontem (22) empossado, assim como parte dos ministros e secretários de estado que constituem o VIII governo constitucional. A posse de outros membros do governo propostos pelo PM ficou adiada por recusa do PR Lu Olo devido a alguns nomes de propostos estarem conotados e/ou condenados por corrupção, assim como alguns que ainda estão a ser investigados pela justiça e que fizeram parte de governos anteriores, de Xanana Gusmão.

O procedimento do PR Lu Olo foi inteiramente transparente e protetor dos interesses do estado e da república timorense, tendo contribuído de modo iniludível para a importância do combate à corrupção existente em Timor-Leste. Mas assim não entendeu Xanana Gusmão, que em protesto não compareceu na cerimónia de posse e tornou pública a sua decisão contestatária.

Também muitos timorenses e outros que observam ou de algum modo estão ligados a Timor-Leste não entenderam nem entendem que Taur Matan Ruak, primeiro-ministro, tenha aceite integrar no seu governo potenciais corruptos já condenados ou outros que estão a ser investigados por esse mesmo crime devido a indícios existentes. Tanto mais que Taur sempre bramiu com insistência e vigor a “espada” da luta contra a corrupção.

Quanto à atitude contestatária de Xanana Gusmão devido à decisão de recusa presidencial observa-se normalidade, porque Xanana sempre demonstrou conviver amenamente no âmbito da corrupção tantas vezes apontada em governos do seu primado e dos quais foram produzidos pela justiça timorense alguns condenados. No que toca diretamente à sua pessoa foi facto que quando foi perspetivada a ação da justiça em o investigar é que a situação não foi pacífica, culminando com a expulsão de magistrados portugueses e outros do país. E depois disso “a montanha pariu um rato”.

Timor-Leste consta de índices internacionais que o apontam como país de elevada corrupção. Por isso existem organismos de combate à corrupção e pessoas de bem que estão atentas e ativas nessa "guerra". Compreende-se absolutamente correta e exigível a decisão do presidente da república timorense, Lu Olo. A não se combater com frontalidade e veemência o fenómeno que tanto prejudica países e povos, ao aceitar potenciais e/ou comprovados corruptos já anteriormente condenados, qualquer pessoa entende com clareza que o pão pode voltar a ser retirado da boca do povo por esses criminosos. Juntar essas pessoas num governo ou na administração pública, em cargos de decisão e poder, será quase o mesmo que assistirmos a um nefasto “milagre”. Neste caso, não da bíblica multiplicação dos pães mas sim da multiplicação de corruptos. AV = MM
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Publicação luso-timorense sem fins lucrativos

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