quinta-feira, 6 de abril de 2017

COMO E PARA QUANDO A TRANSIÇÃO GERACIONAL?

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Francisco Guterres Lu-Olo, o novo Presidente da República, para o período 2017-2022. A sua vitória na corrida à Presidência, apoiado pela Fretilin e pelo CNRT, com especial destaque o apoio de Xanana Gusmão, revela uma vez mais o impacto da popularidade, legitimidade e carisma de Xanana junto do eleitorado, ao reverter-se no grande impacto sobre a escolha do candidato e consequentemente no resultado eleitoral. Ainda que os meios financeiros dos partidos políticos detenham um papel considerável na influência e mobilização do eleitorado, na medida em que os capacita a organizar mais comícios, mais propaganda eleitoral e marketing político, a história e o percurso das personalidades políticas têm efetivamente um claro peso na hora do eleitorado escolher o candidato. Personalidades como Xanana Gusmão, Francisco Lu-Olo, Mari Alkatiri, José Ramos Horta, entre outros, têm contribuído para a construção de um legado envolto de valores, de princípios, atitudes, de projetos, de contribuições alinhados com os objetivos do país e do povo. Senão vejamos, antes de Timor-Leste ser independente, uma longa batalha foi desenvolvida, ao nível da armada, da diplomacia e da juventude preconizada por várias figuras, contando com o apoio do povo e da Igreja e dessa forma, foi possível tornar Timor-Leste independente e livre. Portanto, valores como a liberdade, o respeito e a igualdade foram conquistados com empenho, luta, sacrifícios, compromisso, responsabilidade, respeito pela hierarquia, tomada de decisão e dedicação.

E hoje, o processo de desenvolvimento sustentável do país requer esses mesmos “ingredientes”. Os desafios nacionais exigem uma atitude pragmática e inovadora a todos os timorenses/intervenientes no processo de desenvolvimento do país, novos e velhos são chamados a contribuir. Quando se aborda a questão da transição geracional, é preciso ter em consideração, em meu entender, que não há uma data que fixa quando ela irá acontecer. Porque é um processo natural, na medida em que os novos não estão impedidos de contribuir para o país, nem os velhos estão a barrar a passagem para os novos. O que dita a transição geracional é o mérito, a capacidade, a preparação, o trabalho, a dedicação e o respeito de cada um, tal como foi transmitida na reunião de  Dare I e II sobre a necessidade de preparação das novas gerações. Temos um executivo exemplo disso, com membros da geração de 75 e membros da dita geração nova. Aquilo que efetivamente contribuirá para a afirmação da geração nova é e será o seu empenho, dedicação, responsabilidade, mérito, maturidade, o cumprimento de metas e compromisso sobre aquilo que almejam para o futuro, transversal a todos os setores da nossa sociedade. As soluções para a situação atual do país não são apenas da exclusividade do governo, pois essas soluções também passam pela contribuição de cada um, quer no trabalho, quer na família e escola.  

*Rojer Rafael T. Soares, Ailili, Manatuto
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Publicação luso-timorense sem fins lucrativos

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