domingo, 19 de fevereiro de 2017

Mais de 100 veículos em marcha lenta em Macau contra aumento de taxas

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Macau, China, 18 fev (Lusa) -- Mais de uma centena de carros e motos protagonizaram hoje uma marcha lenta pelas ruas de Macau contra o aumento de taxas administrativas relacionadas com os serviços de tráfego, exigindo a retirada do despacho que atualizou os valores.

A iniciativa, em protesto contra a atualização, a 01 de janeiro, de uma série de taxas administrativas, como a de remoção de veículos que, a título de exemplo, passou de 300 para 1.500 patacas (de 35 para 178 euros), e contra os aumentos acentuados também para licenças, inspeção de veículos ou exames de condução, durou aproximadamente uma hora e meia.

A marcha lenta foi convocada por um grupo de cidadãos liderado pelos deputados Pereira Coutinho e Leong Veng Chai, mas o primeiro faltou à iniciativa.

No final da marcha lenta, junto à sede do Governo, Leong Veng Chai explicou que Pereira Coutinho, que até pediu a demissão do secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, por causa do aumento das taxas, não compareceu devido "a questões privadas relacionadas com a sua família".
Aos jornalistas, o "número dois" de Pereira Coutinho indicou que a adesão à marcha lenta "quase" correspondeu às expetativas iniciais, falando na participação de entre 250 a 300 veículos.

Uma estimativa superior à dos jornalistas (cujas contas apontam para menos de 150) e aos números da polícia, já que, segundo a PSP, participaram na marcha lenta 111 veículos (57 automóveis e 54 motos), envolvendo cerca de 150 pessoas.

Os veículos que participaram na marcha lenta tinham fitas verdes amarradas nos retrovisores e bandeirolas com os carateres chineses para a palavra "retirar", numa alusão ao objetivo do protesto.

Aproximadamente meia centena de agentes foram destacados para acompanhar a manifestação, ainda de acordo com a PSP, que destacou que o itinerário proposto foi cumprido e que as viaturas desfilaram de forma ordeira e pacífica.

A marcha lenta partiu de perto da Praça da Assembleia Legislativa, com destino à ilha da Taipa, pela Ponte de Sai Van, regressando à península, onde foi até ao Centro de Ciência e deu a volta, culminando no Lago Sai Van, onde representantes do grupo que convocou o protesto entregaram petições na sede do Governo.

Os promotores da iniciativa queixaram-se, porém, do facto de a polícia ter separado a marcha lenta em pequenos grupos.

Segundo constatou a agência Lusa no local, os carros foram divididos em dois grupos e as motas saíram integrados num, partindo com uma ligeira diferença temporal.

Luís Machado, um polícia aposentado, foi um dos que participou no protesto, montado numa mota.

"Acho que o governo deve pensar um pouco na parte do cidadão de Macau ou dos condutores", disse à Lusa, considerando os aumentos das taxas "muito exagerados".

"A gente está à espera que mude alguma coisa", afirmou, quando questionado sobre se acha realista a possibilidade de o Governo recuar nos aumentos das taxas administrativas, um cenário que o Governo descartou poucos dias após os primeiros sinais de contestação, ao sustentar que a maioria dos valores não sofria alterações desde o final da década de 1990.

Leong Veng Chai adiantou que o grupo de promotores do protesto pretende agora "aguardar pelo 'feedback' do Governo".

Caso não chegue, o grupo planeia solicitar um novo encontro com o secretário para os Transportes e Obras Públicas, depois do "desanimador" que afirmou ter mantido a 25 de janeiro com Raimundo do Rosário.

O deputado esclareceu ainda que a manifestação de hoje apenas teve apenas como objetivo pedir ao chefe do executivo que retire o despacho que eleva as taxas administrativas e não pedir a demissão do secretário, como anteriormente.

A 08 de fevereiro, o grupo de cidadãos liderados pelos deputados Pereira Coutinho e Leong Veng Chai convocou uma marcha lenta para dia 11, a qual acabaria por cancelar horas depois devido a divergências relativamente ao itinerário proposto pela polícia.

Antes, no primeiro fim de semana a seguir à entrada em vigor das taxas administrativas, a 08 de janeiro, uma manifestação juntou milhares de pessoas nas ruas (1.600 segundo a polícia e 5.000 de acordo com a organização).

O trânsito constitui uma das principais dores de cabeça em Macau, com uma população estimada em 647.700 habitantes numa área de aproximadamente 30 quilómetros quadrados que faz com que esteja no topo das regiões com maior densidade populacional do mundo.

No final do ano passado, circulavam nas estradas de Macau - com uma extensão rodoviária de 427 quilómetros - 250.450 veículos, mais de metade dos quais de duas rodas, segundo dados oficiais.

DM (FV/ISG) // FPA
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