domingo, 5 de março de 2017

Apelos para independência de Hong Kong "não vão levar a lado nenhum" -- PM chinês

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Pequim, 05 mar (Lusa) -- O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, advertiu hoje que os apelos para a independência de Hong Kong "não vão levar a lugar nenhum", deixando idêntico reparo relativamente a qualquer movimento secessionista por parte de Taiwan.

O jornal de Hong Kong South China Morning Post destaca tratar-se de um gesto sem precedentes, dado que foi a primeira vez que a noção de "independência de Hong Kong" foi mencionada -- e publicamente condenada -- no relatório anual do Governo apresentado pelo primeiro-ministro chinês na abertura da sessão anual da Assembleia Nacional Popular, constitucionalmente "o supremo órgão do poder de Estado".

"Iremos continuar a agir em estrita conformidade com a Constituição da China e com as Leis Básicas das Regiões Administrativas Especiais de Hong Kong e de Macau, e iremos garantir que o princípio 'Um País, dois sistemas' é aplicado com firmeza sem ser deformado ou distorcido", refere o relatório anual.


O discurso do primeiro-ministro chinês tem lugar precisamente três semanas antes das eleições, marcadas para o próximo dia 26, para escolher o chefe do Executivo de Hong Kong, o qual é eleito por um comité eleitoral formado por 1.200 membros, representativos de diferentes setores da sociedade, que é dominado por elites ou interesses pró-Pequim.

Este ano assinala-se o 20.º aniversário da transferência de soberania de Hong Kong do Reino Unido para a China.

No ano passado, surgiram na cena política da antiga colónia britânica novos partidos com aspirações independentistas, como o Demosisto, que defende a realização de um referendo sobre a "autodeterminação" e o futuro estatuto de Hong Kong após 2047.

Em setembro, o Demosisto elegeu Nathan Law, de 23 anos, como o mais novo deputado de Hong Kong.

Joshua Wong, que se tornou o rosto dos protestos pró-democracia em Hong Kong em 2014, cofundou o partido, mas não se candidatou por não a idade mínima exigida de 21 anos.

Além disso, em outubro, estalou uma controvérsia em Hong Kong, depois dos dois deputados pró-independência Sixtus Baggio Leung Chung-hang e Yau Wai-Ching se terem comprometido a servir a "nação de Hong Kong" e pronunciado "China" de forma considerada ofensiva entre outras alterações ao discurso quando prestaram juramento no Conselho Legislativo (LegCo, parlamento).

Tal levou o Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular da China a considerar que os dois deputados não podiam repetir o juramento do cargo e tomar posse, uma decisão que se antecipou à que era aguardada pelos tribunais da antiga colónia britânica.

A justiça de Hong Kong concordou depois com a rara interpretação de Pequim e os dois deputados perderam mais tarde os seus assentos no LegCo, depois de os juramentos terem sido considerados "inválidos".

Já relativamente a Taiwan, o primeiro-ministro chinês também advertiu que a China se opõe firmemente ao "separatismo": "Vamos resolutamente contrariar e conter as atividades separatistas pela independência de Taiwan".

"Nunca iremos tolerar qualquer atividade, sob qualquer forma ou nome, que tente separar Taiwan da mãe-pátria", frisou Li Keqiang, sustentando que a China continuará a "defender o 'Consenso de 1992' como base política comum, a salvaguardar a soberania e a integridade territorial do país", assim como manter a estabilidade dos dois lados do Estreito da Formosa.

Um novo foco de tensão entre a Pequim e Taipé surgiu após a vitória nas eleições presidenciais do ano passado da independentista Tsai Ing-wen, do Partido Democrata Progressista (PDP), que obteve 75,6% dos votos.

Tsai recusou aceitar o chamado 'Consenso de 1992', ao abrigo do qual ambas as partes reconhecem o princípio de "uma só China", mas cada um dos lados faz a sua própria interpretação desse princípio.

DM (FV/ISG) // DM
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