segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Companhia aérea timorense culpa política do Governo por perdas de 3 milhões de dólares

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Díli, 09 jan (Lusa) - A companhia aérea Air Timor - que suspendeu a partir de terça-feira a rota entre Díli e Denpasar (Indonésia) - responsabilizou hoje o Governo por decisões que levaram a empresa a perdas de 3 milhões de dólares no último ano.

Em concreto, explica a empresa em comunicado, a decisão de conceder a uma terceira empresa a licença para voar para Díli levou a uma situação de sobrecapacidade na rota, a taxas de ocupação de menos de 50% e a consequentes perdas diárias de 10 mil dólares.

"Ao longo dos últimos oito anos, construímos uma das melhores empresas de Timor, fomos um grande contribuinte e apoiante do Turismo e do Governo", refere Abessy Bento, diretor da Air Timor.

"Num ano a política do governo destruiu-nos", sublinha.

Inácio Moreira, vice-ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações - que é referido por nome na nota da Air Timor - rejeitou à Lusa qualquer responsabilidade sua ou do Governo no que considera ser "problemas internos de uma empresa privada".

"A Air Timor é uma empresa privada e o Governo não tem responsabilidade por empresas privadas, apenas trata das regulações. Não há qualquer responsabilidade do Governo nesta matéria", disse.

"Em Timor-Leste há mercado livre e eu ou qualquer pessoa do Governo não podemos interferir nisto. O Governo não pode interferir. Eles têm problemas internos, incluindo incapacidade de gestão e não podem vir aqui acusar o Governo de responsabilidade", disse.

Na nota a Air Timor explica que em janeiro do ano passado a empresa tinha registado o seu maior lucro de sempre - 940 mil dólares - com uma liquidez acumulada de 1,5 milhões de dólares, tendo decidido iniciar voos para Darwin e aumentar as ligações até Singapura para quatro por semana".

No entanto, explica, a decisão do Governo conceder no final de 2015 licença de operação à NAM Air (subsidiária da Sriwijaya, que já efetuava voos entre Timor-Leste e Bali) levou a excessiva capacidade na rota.

"Havia tantos lugares disponíveis em comparação com a demanda do mercado que as três companhias aéreas só conseguiam atingir cerca de 50% ou menos de ocupação. As companhias aéreas geralmente precisam de 70% para o ponto de equilíbrio", refere.

Isso levou a uma queda das tarifas para 70 dólares por percurso (setor), "muito abaixo dos preços normais do mercado", com a NAM Air a "despejar" passageiros na Sriwijaya em dias de baixa procura e a Air Timor a ter que arrecadar capital para cobrir as "enormes perdas de 10 mil dólares por dia".

"As perdas da Air Timor em dezembro de 2016 já ultrapassam 3 milhões de dólares.

Abessy Bento refere que a empresa "gastou milhões de dólares para criar a Air Timor como companhia aérea timorense local, formou pessoal local no exterior e tentou construir uma companhia aérea de que Timor se poderia orgulhar".

A empresa é particularmente crítica da política que diz ter sido adotada pelo vice-ministro dos Transportes, Inácio Moreira, que " permitiu que a NAM e a Sriwijaya operassem aeronaves com até 22 anos" de vida.

"Em abril de 2016, o vice-ministro solicitou à Air Timor que começasse a operar com um novo Airbus A320 a partir de junho, já que sua aeronave existente tinha 18 anos e não era confiável. Afirmou que as outras duas companhias aéreas também cumpriram e que os voos da NAM seriam interrompidos. A Air Timor respeitou, mas as outras empresas não", refere a Air Timor.

"A política atual do governo de só apoiar empresas indonésias e não apoiar uma companhia aérea local que emprega timorenses está errada", explica.

A Air Timor explica que o Governo decidiu renovar a licença para a NAM para 2017, o que representaria "perdas adicionais", pelo que tomou a decisão de suspender as ligações diárias que mantinha com Bali.

"O público timorense é agora deixado com um monopólio: uma empresa agora controla a rota que opera aeronaves com mais de 22 anos", explica.

A Air Timor nota ainda que os baixos preços na rota para Bali atribui parte dos passageiros que viajavam entre Díli e Singapura (para estabelecer depois ligações a outros destinos) pelo que também reduziu de três para dois os voos por semana entre os dois países.

ASP // DM
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Publicação luso-timorense sem fins lucrativos

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