sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Xanana apoia candidatura presidencial do líder da Fretilin em Timor-Leste

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Díli, 10 fev (Lusa) - O líder histórico timorense e presidente do maior partido do país Xanana Gusmão declarou hoje o seu apoio formal à candidatura do líder da Fretilin Francisco Guterres (Lu-Olo) à Presidência da República timorense.

A declaração de Xanana Gusmão, líder do Congresso Nacional para a Reconstrução de Timor-Leste (CNRT), foi feita num encontro de apresentação formal da candidatura de Lu-Olo hoje na zona ocidental de Díli, onde o líder timorense foi bastante aplaudido pela sua presença e pelo seu apoio.

"Estou aqui para dar apoio ao meu irmão mais novo. A quem dou o meu apoio moral e o meu apoio político. Timor precisa de uma pessoa como Lu-Olo que esteja no cargo mais alto, sabendo o que é sentido de Estado, quais são as suas obrigações constitucionais, as suas obrigações no exterior, mas também as suas obrigações ao povo", afirmou Xanana Gusmão.

Num discurso fortemente aplaudido, Xanana Gusmão suscitou várias vezes ao público que gritasse o nome do candidato e garantiu que o seu apoio a Lu-Olo não é de agora.

"Dei esse apoio antes de saber se havia ou não outros candidatos. E seja quem for que apareça. Não foi agora que dou o meu apoio. Olhando para o processo de construção do Estado precisamos de uma pessoa que compreende o que é o Estado, que pode unir-nos a todos e falar sobre o nosso Estado", disse.

Francisco Kalbuadi, presidente da Comissão Política Nacional do CNRT, garantiu à Lusa que o apoio manifestado hoje por Xanana Gusmão não foi só pessoal mas representa todo o partido.

"Está aqui o presidente, está aqui o presidente da comissão política e penso que isso não deixa qualquer dúvida", afirmou Kalbuadi.

Mari Alkatiri, secretário-geral da Fretilin, disse à Lusa considerar não haver dúvidas de que a candidatura de Lu-Olo tem o apoio do CNRT e não apenas de Xanana Gusmão.

"Acho que ficou declarado que o CNRT apoia e não tenho dúvidas nenhumas que o CNRT é um partido com certa disciplina e uma vez que o presidente apoia, já houve uma reunião da Comissão Política Nacional, decidiram dar o apoio", considerou.

"Num país tão pequeno já temos 30 partidos e é necessário que se faça uma mensagem clara de coesão nacional. Não tenho nada contra os partidos, que têm o seu lugar na construção do Estado, mas consolidar o Estado exige coesão nacional", afirmou.

Nos últimos anos a relação entre Xanana Gusmão e a liderança da Fretilin, especialmente com o secretário-geral, Mari Alkatiri, tem-se estreitado significativamente, algo sublinhado por todos no encontro de hoje.

Na sua intervenção Alkatiri disse que essa aproximação quer contribuir para que a sua geração "deixe algo de positivo" aos mais novos, em concreto, "uma cultura e vida institucional assente no sentido de Estado".

"Isso só é possível, mesmo que não tendo os mesmos ideais, se andarmos juntos", afirmou, reiterando que para consolidar essa unidade nacional é necessário um chefe de Estado como Lu-Olo.

"Temos que ter um presidente que entende o que é o consenso, um Presidente que não será oposição ao Governo e ao parlamento, alguém que seja um chefe de Estado", disse.

Mesmo nas legislativas de julho, insistiu, e apesar dos partidos se apresentarem todos separadamente, Alkatiri prometeu que "ganhe quem ganhar, o trabalho continuará a ser de unidade nacional".

"Nas legislativas eu andarei de um lado e o meu compadre poderá andar do outro. Mas quando chegar as eleições estaremos juntos. Isso posso garantir", afirmou.

"Não tentem dividir-nos, não vale a pena tentar. Acabaram os cabides e as muletas. Nas eleições cada um procurará ganhar mas no fim estaremos todos juntos", considerou.

Xanana Gusmão aproveitou ainda o seu discurso para recordar que Timor-Leste só cumpre 15 anos de independência e que as suas instituições ainda estão na fase de construção, sendo importante reconhecer o que foi feito e perceber os desafios que permanecem.

Os timorenses, disse, devem aprender com os erros do passado, corrigir o que for necessário e trabalhar de forma unida pelo futuro do país.

"Precisamos de ter uma grande visão, uma visão conjunta e unida, definindo qual é a melhor política, quais são as melhores medidas para aplicar em Timor-Leste", considerou.

"Estamos aqui para criar alguma coisa para a geração que vem depois. Não queremos fazer tudo, queremos criar alicerces para um Estado para vocês consolidarem", disse ainda.
ASP // PJA
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Publicação luso-timorense sem fins lucrativos

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