quarta-feira, 11 de julho de 2018

Fretilin saúda esforço de diálogo do PM timorense com PR sobre membros do Governo

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A Fretilin, na oposição em Timor-Leste, saudou hoje o esforço do primeiro-ministro, Taur Matan Ruak, em manter o diálogo com o Presidente da República no intuito de resolver o impasse sobre a tomada de posse de parte do executivo.

"Devemos felicitar o primeiro-ministro por se comportar com maturidade e sensibilidade em relação a essa questão tão importante", referiu Francisco Branco, chefe da bancada da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) no parlamento, citado em comunicado.

"Fica muito claro que o primeiro-ministro leva muito a sério o papel que o Presidente da República desempenha e demonstra a sua disposição de cooperar com o espírito de diálogo e conciliação", sustentou.

No comunicado, a Fretilin considerou que a posição do primeiro-ministro contrasta com o que diz ser uma "campanha de difamação séria e maliciosa, incluindo difamação criminal" contra o chefe de Estado, Francisco Guterres Lu-Olo, por parte de um "grupo radical de militantes do CNRT".

O Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), liderado por Xanana Gusmão, é a maior força política da Aliança de Mudança para o Progresso (AMP) que conseguiu maior absoluta nas eleições de 12 de maio e que integra ainda o Partido Libertação Popular (PLP) de Taur Matan Ruak e o Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO).

Francisco Branco contestou o que diz ser uma campanha de "total desrespeito pela verdade", especialmente nas redes sociais.

"Não é mais o debate político em que todo cidadão tem o direito legal e político de participar de forma construtiva, mas visa visivelmente manchar a reputação do Presidente da república", disse.

"Infelizmente, esta campanha de mentiras também foi acompanhada pelo líder do partido nos últimos dias", afirmou, questionando a carta que Xanana Gusmão enviou esta semana ao Presidente da República.

Em causa está o impasse sobre um grupo de 11 membros do Governo propostos pelo primeiro-ministro a quem o Presidente não deu posse, nove por alegadamente terem "o seu nome identificado nas instâncias judiciais competentes" e dois por possuírem "um perfil ético controverso".

A decisão tem estado a causar tensão entre a Presidência e o Governo e a AMP, particularmente Xanana Gusmão, líder da coligação, que já foi nomeado duas vezes e ainda não tomou posse.

Na carta a Lu-Olo, a que a Lusa teve acesso, Xanana Gusmão, ameaçou hoje desencadear um processo de destituição do Presidente da República se este mantiver a "rejeição sistemática e não fundamentada" de membros do Governo propostos pelo primeiro-ministro.

"A rejeição sistemática e não fundamentada, pelo Presidente da República, dos nomes dos titulares propostos pelo primeiro-ministro para integrar o Governo" pode ser vista pelo CNRT como uma "tentativa de usurpação de poderes e, neste sentido, configurar uma violação clara e grave das suas obrigações constitucionais".

Numa primeira cedência do Governo, o primeiro-ministro eliminou da lista de nomeados dois dos nomes inicialmente propostos - que estão atualmente envolvidos em processos já nos tribunais: Gastão de Sousa, proposto como ministro do Planejamento e Investimento Estratégico (MPIE) - cuja responsabilidade será assumida por Xanana Gusmão - e Marcos da Cruz, vice-ministro da Agricultura e Pescas, que foi substituído por Rogério Mendonça de Aileu.

A Fretilin refere que o chefe de Estado tem recebido "importantes mostras de apoio da sociedade civil, de outros partidos políticos e da Igreja Católica" nesta questão.

Lusa | em SAPO TL
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Publicação luso-timorense sem fins lucrativos

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