segunda-feira, 21 de maio de 2018

Maioria absoluta "não é um cheque em branco" para Governo - PR

PARTILHAR

Díli, 20 mai (Lusa) - O Presidente da República timorense considerou hoje que a maioria absoluta saída das eleições legislativas de 12 de maio "não é um cheque em branco" para o Governo que deve honrar as promessas e compromissos feitos na campanha.

"Os cidadãos deram ao país uma maioria clara para governar. Mas maioria clara não é um cheque em branco para um governo, qualquer que seja o governo, fazer o que quer. Não. Governar é escolher políticas adequadas, é implementar medidas equilibradas para responder às necessidades do povo. Governar é promover os superiores interesses do povo e do país" disse hoje Francisco Guterres Lu-Olo.

"A maioria clara que resultou da eleição antecipada torna mais fácil o trabalho de governar, mas para reforçar a confiança na democracia, os políticos têm de honrar as promessas que fazem durante as campanhas eleitorais", sublinhou.

Lu-Olo falava perante as principais figuras do Estado numa cerimónia em frente ao Palácio do Governo em Díli que assinalou o 16.º aniversário da restauração da independência de Timor-Leste.

Foi o primeiro discurso do chefe de Estado depois das eleições de 12 de maio, que ocorreram depois de um período de tensão política em que, como destacou hoje o Presidente, os cidadãos deram um "alto exemplo de maturidade, reforçando a paz, a estabilidade e a democracia" do país.

Referindo-se ao seu próprio papel, Lu-olo disse que tudo fará no âmbito das suas competências para "ajudar a unir o país, promover a participação dos cidadãos no desenvolvimento nacional e cooperar com todos os órgãos de soberania para facilitar a definição e a aplicação das políticas de desenvolvimento nacional, a todos os níveis.

Ainda que seja salutar para o país uma "oposição forte e competente", Lu-Olo considera que "há interesses nacionais" que devem unir todos os timorenses e que "requerem o concurso da oposição e a capacidade do governo ouvir e dialogar, para ter êxito".

"Podem continuar a contar comigo para ser o Presidente de todos e para todos os timorenses e ser fator de unidade, diálogo e inclusão da sociedade. Juntos, alcançaremos mais rapidamente, as metas de desenvolvimento do país e de melhoria do bem-estar dos timorenses todos, sem excluir ninguém", disse.

Para Lu-Olo a prioridade do Estado continua a ser o "desenvolvimento das melhores condições possíveis para o reforço da soberania nacional" o que obriga a "desenvolver rapidamente esta terra e melhorar as condições de vida e bem-estar dos cidadãos todos".

"Governar com sucesso é alcançar resultados positivos: Desenvolver o país e melhorar as condições de vida de todos é que será governar com êxito. Aqui reside o fulcro da reflexão que proponho a todos nós", sublinhou.

Para o chefe de Estado, o dia que hoje se comemora, "evoca e prova a capacidade da nação timorense para se unir, resistir e vencer", transformando "os valores, as tradições e a cultura em instrumentos de realização do nosso sonho, e do dos antepassados, de construir um futuro melhor, num país melhor".

Francisco Guterres Lu-Olo recordou que o primeiro ano do seu mandato, cumprido hoje, "foi um ano recheado de desafios" para todos, com o país a cair num "impasse político, que criava obstáculos à aprovação de leis e de outros instrumentos constitucionais fundamentais para a governação".

Defendendo a sua decisão de convocar eleições antecipadas para resolver o impasse, apesar do potencial risco, Lu-Olo disse que "os cidadãos responderam ao desafio, com extraordinária maturidade, espírito de tolerância e vontade de dar as mãos, em nome da paz".

"Na preparação e realização das eleições antecipadas o comportamento sereno, maduro e tranquilo dos cidadãos, em todo o país, elevou o nome de Timor-Leste, na região e no mundo", disse.

"Os cidadãos timorenses tornaram-se um exemplo digno de ser seguido por todos, incluindo pelos líderes - agora e no futuro", sublinhou.

Para o chefe de Estado a crise recente mostrou que o sistema constitucional do país funciona e o "processo político exemplar" em curso "é o melhor presente de aniversário que a nação pode desejar".

Lu-Olo deixou ainda apelos para que se consiga fomentar a crescente participação dos eleições na vida pública, além das eleições e na "definição e implementação das prioridades de desenvolvimento, a nível nacional e no desenvolvimento local".

"Com as condições de paz, estabilidade e clareza política que o país revela, neste momento, os cinco anos da 5.ª Legislatura que, dentro de pouco tempo, se vai iniciar com a abertura do novo parlamento Nacional, têm de ser anos em que Timor-Leste dê novos passos decisivos: na qualidade da nossa economia; e na qualidade do nosso desenvolvimento, para realizarmos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a que nos comprometemos, nas Nações Unidas, juntamente com a comunidade internacional", defendeu.

"Os objetivos estratégicos de desenvolvimento nacional não mudam só porque um governo muda. A defesa e promoção do interesse nacional exige diálogo, concertação, e participação ativa dos cidadãos", frisou.

Entre as prioridades destacou a educação, a saúde e fortalecimento da economia nacional, aspetos que continuará a acompanhar com particular atenção.

"Como afirmei no momento em que tomei posse, no exercício do meu mandato usarei os instrumentos que a Constituição confere ao Presidente da República", disse.

Entre outros aspetos, para "defender a inclusão social e económica de todos os timorenses, homens e mulheres sem exceção, através da defesa e promoção de políticas públicas de Educação, formação profissional, saúde, habitação, acesso a água limpa, saneamento básico e criação de empregos" e "ser um fator de estabilidade política, paz e desenvolvimento".

ASP // ALU
PARTILHAR

Author: verified_user

Publicação luso-timorense sem fins lucrativos

0 comentários: