sábado, 28 de julho de 2018

Camboja celebra eleições gerais criticadas pela comunidade internacional

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Phnom Penh, 27 jul (Lusa) - O Camboja celebra no próximo domingo eleições gerais, com o partido no poder como principal favorito, depois da dissolução, em 2017, da única formação credível de oposição.

Todas as sondagens apontam para a vitória, com maioria absoluta, do Partido do Povo do Camboja (PPC) irá obter a maioria, uma vez que a principal força de oposição, o Partido do Resgate Nacional do Camboja (PRNC), foi dissolvido no ano passado, na sequência de uma ordem judicial, considerada por vários observadores como uma manobra política do partido no poder.

O PRNC ameaçou a hegemonia do PPC nas eleições legislativas de 2013, quando recolheu 44% dos votos, o que resultou numa resposta dura do Governo através dos tribunais.

O primeiro-ministro cambojano, Hun Sen, acusou o atual líder do PRNC, Kem Sokha, de ter conspirado com estrangeiros para o derrubar, e seguiu com a dissolução do partido e a proibição de atividade política por cinco anos a 118 membros.

A campanha de intimidação iniciada então levou a que os Estados Unidos e a União Europeia (UE) questionassem a legitimidade e retirassem os observadores das eleições e ameaçassem o país com sanções económicas.

"As eleições não são mais do que uma farsa orquestrada por Hun Sen que quer concorrer sem adversários", assegurou Mu Sochua, ex-deputada do PRNC no exílio, à agência de notícias espanhola EFE.

"As eleições deviam ser a culminação de um processo democrático. Estas não são tal coisa. O processo democrático foi completamente desfigurado até ser irreconhecível", afirmou Sophal Ear, refugiado do Camboja e professor associado na Occidental College nos Estados Unidos.

Hun Sen visa agora alargar durante mais dez anos o seu mandato iniciado em 1985, reivindicando a paz presente no país e o forte crescimento económico da última década.
"Construímos esta nação desde o zero e o PPC vai assegurar-se de que o país não volte à destruição. A partir de agora só haverá paz e progresso. Cuidaremos de Camboja para sempre", escreveu Hun Sen na sua página do Facebook, na semana passada.

Estas serão as sextas eleições desde que a Organização das Nações Unidas (ONU) organizou a primeira votação democrática em 1993, durante a paz que pôs fim a duas décadas de guerra civil entre várias fações, entre elas o Khmer vermelho, uma organização maoista dirigida por Pol Pot, que governou o país entre 1975 e 1979.

Quando chegou ao poder em 1985, Hun Sen, um antigo 'Khmer Vermelho' que contribuiu para o derrubamento do regime de Pol Pot, pacificou grande parte do país e apostou nas negociações de paz encabeçadas pela ONU, que resultaram nos acordos de paz de Paris, 1991.

As denúncias de corrupção, manipulação de instituições e intimidação de oponentes foram uma constante durante o seu longo mandato, no qual combinou atos de repressão com ações de consenso.

O alinhamento com Pequim e a entrada massiva de capital chinês tornaram o Camboja independente da ajuda económica do Ocidente e da pressão exercida sobre Phnom Penh.
"A democracia terminou no Camboja e o país dirige-se para um Estado de partido único e uma nova ordem autoritária inédita desde 1992", assegura Sophal Ear.

BZP/PJA // PJA
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