sábado, 27 de abril de 2019

Empresa chinesa vai construir porto no sul de Timor-Leste

Redação, 26 abr 2019 (Lusa) - A empresa China Civil Engineering Construction Corporation anunciou hoje a assinatura de um contrato com a petrolífera timorense Timor Gap para a construção de um porto numa unidade de processamento de gás natural em Beaço, no sul de Timor-Leste.

Em comunicado enviado ao mercado bolsista de Xangai, a China Civil Engineering Construction Corporation, uma subsidiária da construtora estatal chinesa China Railway Construction Corporation, indicou que vai receber cerca de 943 milhões de dólares norte-americanos (846,2 milhões de euros) pelo design e construção do porto.

Antes do arranque das obras, que deverão demorar cerca de quatro anos, a Timor Gap terá ainda de assegurar o financiamento do projeto, sublinhou a China Civil Engineering Construction.

Segundo a página da petrolífera timorense na Internet, o porto de Beaço vai "permitir o desembarque de materiais durante a construção" tanto do gasoduto, que que trará o gás natural dos campos petrolíferos de Greater Sunrise, como de uma unidade de processamento de Gás Natural Liquefeito (GNL).

Após a entrada em funcionamento da unidade, o porto vai ser usado para o embarque do GNL, acrescentou a Timor Gap.

No passado dia 16, Timor-Leste comprou uma participação maioritária no consórcio do Greater Sunrise por 650 milhões de dólares norte-americanos (575 milhões de euros), para avançar com o projeto de gasoduto e processamento de petróleo e gás natural na costa sul do país.

Numa recente entrevista à Lusa, o presidente e diretor executivo da Timor Gap, Francisco Monteiro, disse que Timor-Leste quer evitar recorrer ao Fundo Petrolífero para financiar os custos de capital de até 12 mil milhões de dólares norte-americanos (cerca de 11 mil milhões de euros) para o desenvolvimento do projeto.

Os campos de Greater Sunrise contêm reservas estimadas de 5,1 triliões de pés cúbicos de gás e estão localizados no mar de Timor, a aproximadamente 150 quilómetros a sudeste de Timor-Leste e a 450 quilómetros a noroeste de Darwin, na Austrália.

Os campos estão, na quase totalidade, em águas territoriais timorenses, no âmbito do novo tratado de fronteiras marítimas assinado em março do ano passado com a Austrália e que está ainda para ser ratificado pelos parlamentos dos dois países.

A comissão de conciliação da ONU, que mediou entre Timor-Leste e a Austrália para fechar o tratado, estimou que a construção de um gasoduto para Timor-Leste só terá retornos comerciais viáveis com um "subsídio direto" do Governo, ou de outra fonte, no valor de 5,6 mil milhões de dólares norte-americanos.

EJ (ASP) // VM

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