sábado, 25 de março de 2017

Manifestantes em Hong Kong pedem sufrágio universal para eleição do chefe do Executivo

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Hong Kong, China, 25 mar (Lusa) - Centenas de pessoas manifestaram-se hoje em Hong Kong "em prol do sufrágio universal e contra a interferência de Pequim" nos assuntos da cidade, um dia antes da eleição do novo chefe do Executivo.

A antiga número dois do governo Carrie Lam, o ex-secretário John Tsang e o juiz jubilado Woo Kwok-hing são os três candidatos a chefe do Executivo de Hong Kong.

"Seja qual for o candidato que seja eleito, isto não é democracia, isto é apenas uma eleição [feita] por um pequeno círculo", disse hoje aos jornalistas Au Nok-hin, coordenador da Civic Human Rights Front, que organizou o protesto, em referência ao facto de o direito de voto estar restrito a um comité eleitoral composto por cerca de 1.200 pessoas.

O atual chefe do Executivo, CY Leung, foi eleito em 2012 com apenas 689 votos.

A manifestação de hoje juntou vários partidos políticos do campo pró-democrata, o qual está maioritariamente dividido entre apoiantes do candidato John Tsang, e outros que vão votar em branco, em protesto contra uma eleição restrita a apenas cerca de 1.200 membros do comité eleitoral.

Alan Leong, líder do Civic Party, marcou presença na manifestação "para protestar contra a interferência do governo central na eleição do chefe do Executivo de Hong Kong".

"Esta eleição está dentro [das competências] da autonomia de Hong Kong e o Gabinete de Ligação [do Governo Central da China] tem usado meios (...) para aumentar a pressão sobre os membros do comité eleitoral para votarem em Carrie Lam", disse à agência Lusa.

Pequim prometeu deixar os residentes de Hong Kong escolherem o seu próximo líder em 2017 por voto direto - metodologia que colocaria fim ao atual sistema de eleição do chefe do Executivo, assente no referido comité eleitoral - mas com a condição de que os candidatos fossem aprovados por um comité de nomeação, algo que os pró-democratas contestaram, alegando que assim só os candidatos pró-Pequim teriam luz verde.

Essa reforma política foi chumbada pelo Conselho Legislativo de Hong Kong em junho de 2015, com o campo pró-democrata a votar em bloco contra a proposta.

Alan Leong defendeu o chumbo da reforma política proposta por Pequim, tendo por outro lado defendido o "posicionamento estratégico" de apoiar Tsang, que até ser candidato a chefe do Executivo era membro da equipa do governo do contestado atual líder da cidade, CY Leung.

"Se tivéssemos aprovado a proposta de reforma política [proposta por Pequim], John Tsang não poderia ser candidato. Pelo menos agora, o seu nome está no boletim de voto", disse.

"Nos últimos dois meses, com a aproximação da eleição e com a sua campanha, John Tsang ganhou o 'coração' de muitos residentes de Hong Kong. Ele lidera as sondagens, e as pessoas estão preparadas para lhe dar uma oportunidade de unir Hong Kong", afirmou.

Também na manifestação, Leung Kwok-Hung - conhecido como 'Long Hair' ou 'Cabelo Comprido' - tem garantido, de forma automática, o direito de voto na eleição de domingo pelo facto de ser deputado, mas vai usar "esse privilégio" para "votar em branco".

"Hoje é a véspera da eleição do chefe do Executivo. Penso que temos o dever de mostrar às pessoas de Hong Kong e ao resto do mundo que estamos a pedir uma verdadeira democracia, o sufrágio universal para Hong Kong", disse à Lusa.

'Long Hair' contesta o apoio de grupos pró-democratas ao ex-secretário para as Finanças: "Penso que é um pouco ridícula essa lógica. Parece que eles são contra a pré-seleção dos candidatos por Pequim, e contra a candidatura 'pró-Pequim' de Carrie Lam, mas apoiam a candidatura de John Tsang".

A também deputada Lau Siu-lai e outra das vozes do protesto de hoje também vai votar em branco: "Eu vou votar, mas não em nenhum dos candidatos. (...) Não queremos nenhum dos candidatos que eles escolheram para nós", explicou.

"O sufrágio universal não é possível por agora, mas vamos continuar a lutar por ele", disse, antecipando que o resultado da eleição "é difícil de prever".

O jovem ativista político Joshua Wong, que ficou conhecido como o rosto da "Umbrella Revolution" em 2014 em Hong Kong não tem direito de voto na eleição do chefe do Executivo, mas se tivesse também votava em branco.

"Os três candidatos concordam ou mantêm silêncio sobre a interferência do governo de Hong Kong e também concordam com a implementação do artigo 23, por isso é difícil para nós apoiar qualquer um dos candidatos pró-China", disse.

Para Joshua Wong, "o processo de democratização em Hong Kong depende do Presidente Xi Jiping e não de que for o próximo chefe do Executivo de Hong Kong".

"Sobretudo numa altura em que o Presidente Xi está a endurecer a linha em Hong Kong, é uma batalha longa lutarmos pelo nosso futuro", disse.

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