segunda-feira, 15 de maio de 2017

Timor-Leste deve ter políticas educativas "pragmáticas e realistas" - primeiro-ministro

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Díli, 15 mai (Lusa) - Timor-Leste tem de ter políticas educativas "pragmáticas e realistas", definindo prioridades em questões que causam discordância como a formação de professores, a língua veicular de ensino e a capacidade de gestão escolar, disse hoje o primeiro-ministro.

Rui Araújo falava na sessão de abertura do 3.º Congresso Nacional da Educação que começou hoje em Díli sob o mote "A educação como pilar da consolidação da Identidade e do Desenvolvimento da Nação", onde se deverão procurar consensos para o setor educativo.

Um debate centra-se sobre um setor que é o "centro nevrálgico" do desenvolvimento da sociedade e que é essencial "na construção e formação da identidade do indivíduo, na sua formação social e na formação dos seus conceitos e valores sociais, morais e éticos", afirmou.

O primeiro-ministro disse que é necessário definir de forma "clara e inequívoca" os resultados desejados na educação (RDE), incluindo responder, por exemplo, à pergunta sobre se "será possível, em 2020, ensinar em português em todas as escolas".

"Como vamos ultrapassar a barreira da literacia e da numeracia nas nossas crianças? Como vamos apurar as reais necessidades pedagógicas e académicas e desenhar o modelo mais adequado de formação dos professores?", questionou.

Os RDE "devem servir como uma espécie de bússola norteadora para a adequação dos currículos nacionais, para a adoção de métodos pedagógicos e mecanismos de avaliação, para a capacitação profissional dos professores, e para a formação de novos professores".

Para isso deve-se aplicar um modelo dos "três P", conciliando Políticas educativas, a implementação das Práticas e a Preparação dos professores, salientou.

O governante referiu-se à necessidade de evitar que os "definidores de política" imponham o seu ponto de vista, que os académicos das instituições de formação não atuem com "arrogância académica" e que os gestores escolares deixem de pensar que são "únicos detentores do conhecimento do terreno".

"É inquestionável que as práticas nas escolas e a preparação de professores devem ser guiadas por políticas bem definidas, mas também não é menos importante que as políticas tenham em conta as realidades encaradas nas escolas e/ou universidades, e que as políticas educativas devem, em última análise, suportar o papel profissional dos professores, e não constituírem obstáculos para o exercício cabal da profissão", defendeu.

O 3.º Congresso Nacional da Educação decorre em Díli até quarta-feira.

ASP//ISG
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