segunda-feira, 7 de maio de 2018

Oposição pede anulação de boletins com marcas de tinta

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Díli, 07 mai (Lusa) - A coligação da oposição timorense pediu hoje aos órgãos eleitorais que anulem 200 boletins de voto que deviam ser usados nas eleições legislativas do próximo sábado porque têm marcas de tinta que podem suscitar a invalidez do voto.

Arão Noé, responsável da comissão de jurisdição da Aliança de Mudança para o Progresso (AMP), disse aos jornalistas que a coligação tinha já levado o assunto à atenção da Comissão Nacional de Eleições (CNE).

"Detetámos que há umas marcas em alguns boletins de voto, no espaço correspondente ao número 4 [da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin)]", disse hoje em conferência de imprensa.

"A nossa preocupação prende-se com o facto de que, se esses boletins de voto forem usados no dia 12, e se o eleitor escolher outro partido ou coligação, o voto pode acabar invalidado porque tem duas marcas", afirmou.

O responsável da AMP disse que há informações de outros boletins com problemas idênticos detetados em Baucau.

"Sabemos que isto é marca de tinta e não de lapiseira e não dizemos que houve qualquer intenção, não temos provas disso. Só reclamamos porque não queremos que tenha impacto nos votantes", disse.

A descrição do caso na conferência de imprensa da AMP foi diferente das acusações que a coligação fez na sua página no Facebook, em que tenta afirmar que as marcas são intencionais e pretendem beneficiar a Fretilin.

A formulação na página do Facebook levou hoje o ministro da Administração Estatal, Valentim Ximenes, a exigir "respeito" pelos órgãos eleitorais por parte dos partidos políticos.

Num encontro com observadores eleitorais, o ministro lamentou a publicação na página oficial da AMP, afirmando que são acusações graves que têm de ser provadas.

"Este é um estado democrático e de direito. Digo aos partidos para que colaborem com a CNE e STAE para verificar tudo isto. E a nível político, como responsável máximo deste processo, estou disponível para responder a qualquer questão", afirmou.

"Mas não se pode usar a rede do Facebook para atacar as pessoas e desacreditar o processo. Isto não pode ser e não é bom deixar passar em branco", disse.

Num briefing para observadores nacionais e internacionais, Alcino Baris, presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE) admitiu hoje a dificuldade em controlar o que diz ser "propaganda falsa" nas redes sociais.

Referindo-se em concreto a este caso, disse que as acusações pretendem apenas "desacreditar a CNE e o STAE", explicando que a situação foi resolvida, sem problemas, de acordo com a lei.

Segundo explicou, quando os livros foram verificados por responsáveis municipais dos órgãos eleitorais, no caso em Covalima, foi detetado, em conjunto com fiscais partidários e observadores que havia marcas de tinta em pelo menos dois livros, de 50 boletins de voto cada.

"Isso foi comprovado no local. Os boletins foram de imediato carimbados e cancelados. No entanto saiu no Facebook que aquelas marcas foram feitas para beneficiar o partido Fretilin", afirmou Baris.

"Não passa de uma tentativa de desacreditação", disse.

Questionado pela Lusa sobre se a AMP mantinha a confiança nos órgãos eleitorais, Francisco Kalbuadi Lay o secretário-geral do CNRT (maior partido da AMP), disse que se trata apenas de "alertar" para eventuais erros.

"A festa da democracia é para nos respeitarmos uns aos outros. Mas temos de lembrar uns aos outros se sentimos que alguma coisa falha", afirmou.

"Isso não quer dizer que não damos a nossa confiança a CNE ou ao STAE. São órgãos independentes, mas, seja como for, somos todos humanos e podemos falhar qualquer coisa. E é bom que antes do dia 12 se lembre a CNE só disto", considerou.

A campanha termina na quarta-feira e as urnas abrem às 07:00 de sábado (hora local, 23:00 de sexta-feira em Lisboa).

ASP // FPA
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Publicação luso-timorense sem fins lucrativos

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