domingo, 12 de março de 2017

Presidente timorense quer assumir papel de "contraditório" após o fim do mandato

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Díli, 10 mar (Lusa) - O Presidente da República timorense admitiu hoje que no futuro poderá assumir um papel de "contraditório" para evitar que a coesão política que se vive em Timor-Leste paralise o desenvolvimento e impeça a mudança necessária.

"Acho que é o melhor caminho, ser o contraditório. E continuar a ser o que sou hoje. Tenho ideias diferentes, tento contribuir", afirmou Taur Matan Ruak em entrevista à Lusa.

"A democracia não é um fim, é o meio. O nosso objetivo é reforçar a coesão política e social, para estabilizar o país. Mas às vezes isso não dá, paralisa, porque não havendo contraditório não há mudança. E por isso acho que temos que começar a rever isso", explicou.

Numa entrevista em jeito de balanço dos cinco anos na Presidência - cujo mandato termina a 20 de maio -, o chefe de Estado afirmou que sempre trabalhou e vai continuar a trabalhar para "prestar um bom serviço aos cidadãos, serviços básicos".

"Não é estar contra os grandes projetos. Mas entre as necessidades básicas imediatas com os interesses estratégicos, é bom investirmos também mais fortemente no que liga o dia-a-dia da população", referiu.

Taur Matan Ruak, que na semana passada confirmou a intenção de se candidatar nas eleições legislativas, insistiu hoje que, formalmente, só é chefe de Estado, papel que assume em pleno, pelo que rejeita quem o acusa de fazer campanha na Presidência.

Questionado sobre as críticas às declarações de sexta-feira em que confirmou a sua ligação ao Partido de Libertação do Povo (PLP), Taur Matan Ruak disse que "tudo pode acontecer" depois de 20 de maio, quando termina o seu mandato como Presidente.

"Eu não tenho o nome no estatuto do PLP. E em Timor o que vale, é o legal, não uma especulação. No fim do meu mandato direi, mas para já é só uma especulação. A especulação é minha, pode acontecer ou não acontecer. Quando chegarmos lá direi o que realmente pretendo", afirmou.

Algumas das vozes mais críticas contestam o facto de Taur Matan Ruak se identificar como próximo a um partido político quando ainda tem em cima da mesa, para promulgar, a lei eleitoral do Parlamento Nacional.

Comentários que Matan Ruak rejeitou, afirmando que a mesma questão poderia ser colocada aos deputados: "se fizeram leis a seu favor ou dos seus partidos, em detrimento dos outros".

"É legítimo questionar-me mas também é legítimo questioná-los a eles. Comigo foi simples especulação, mas eles estão ativos, são membros dos partidos, sábados e domingos fazem campanha. Isso tem intenções limpas mas o PR é que não. Essa história está muito mal contada", afirmou.

Insiste que o importante é "as pessoas saberem dialogar" e evitarem que os debates sejam menos "sobre quem ganha ou perda" e mais sobre encontrar ideias boas, soluções simples e boas para resolver os problemas" do país.

O chefe de Estado diz que em Timor-Leste tem que aprender com os erros e com os outros, procurando diariamente melhorar a prestação de serviços aos seus cidadãos.

"Anda-se a medir quem tem mais competências, quem faz mais o quê. O meu problema não é esse, é ver qual é o melhor caminho para Timor. Se há ideias melhores que as minhas porque não", questionou.

"Eu sempre disse: o tolo aprende com os seus próprios erros, o idiota não aprende nada, o sábio aprende com os outros. E Timor tem que aprender", afirmou.

ASP // JPS
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Publicação luso-timorense sem fins lucrativos

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