quinta-feira, 19 de julho de 2018

"Quo vadis", Taur? - Para onde vais, Taur?

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PM de Timor-Leste elabora programa de governo com ministros sombra, à falta de melhor

Podemos estar para saber, ou talvez não, da legalidade de elaborar um programa de governo a apresentar aos eleitos no parlamento, com “ministros sombra”. Ou seja: um governo “coxo”, sem os ministros das devidas pastas, pode convidar indivíduos propostos mas não aceites pelo PR e não pertencentes ao governo? E é assim que, também por via desses estranhos ao governo, os timorenses vão ser governados? Será legal? Transparente e democrático não parece. Os eleitores timorenses não votaram para serem governados por ministros-sombra. Para muitos tal manobra é inaceitável.

O presidente da república timorense rejeitou determinados elementos indigitados pelo primeiro-ministro devido a considerar não existirem garantias da transparência e honestidade desses mesmos elementos. A base foi, alegadamente, episódios comportamentais que envolvem investigações de corrupção ou outras ilegalidades sob a ação da justiça. Assim como a falta de credibilidade cidadã de um ou outro desses elementos – valha este critério o que valer num país em que se passa de bestial a besta num ápice. Ou vice-versa.

Apesar de tudo não é de menosprezar a atitude do presidente Lu Olo. Decerto ele terá informações fidedignas e corretas que dão força à posição que tomou. Não é uma questão política mas sim como que um sinal stop de que na vigência do mandato que lhe foi entregue pelo povo de Timor-Leste defenderá a República, o país, os cidadãos, de mais criminosos integrados na governação timorense. Prática que tem sido fecunda e descarada no novel país com pouco mais de uma dezena de anos.

Num adágio português é vulgar dizer-se que “cuidados e caldos de galinha tomam os que querem debelar a doença e tornarem-se saudáveis”. Afinal esse está a ser o procedimento do PR Lu Olo, por modo a prevenir e combater a enorme corrupção existente no país – que comprovadamente priva de muitas mais melhorias das condições de vida dos timorenses e permite o enriquecimento de uns quantos privilegiados que normalmente até são olhados como “ladrões” pelos povos. E em Timor-Leste também.

Visto por este prisma é perfeitamente compreensível que o PR Lu Olo opte pelos “cuidados e caldos de galinha” e que desse modo cumpra com rigor os seus deveres para com Timor-Leste, fazendo o que do PR depende para impulsionar o país para soluções, procedimentos e contas transparentes e saudáveis.

É inegável que a Taur Matan Ruak, primeiro-ministro, não interessa ter um governo constituído por elementos sob suspeições ou já em vias de terem de se confrontar com processos judiciais, como tudo indica ser essas as informações que o PR possui, aparentando desacordo com o PR por se sentir sob pressão de Xanana Gusmão. Afinal, para Taur é mais que provável que prefira enveredar por novas eleições admitindo a possibilidade de conseguir maior votação no seu partido, o PLP, e assim ficar melhor colocado para negociar em eventual nova aliança (se necessário) com um CNRT de Xanana mais fragilizado, com menos votos. Ou outra solução que mais lhe agrade.

O que está a acontecer em Timor-Leste são manobras político-partidárias em que as estratégias não são as que vêm a público. Xanana Gusmão prefere atualmente ficar na segunda linha e manipular as marionetas na qualidade de eminência parda. Assim vem fazendo há algum tempo. Falta saber se Taur está disposto a assumir a postura de PM “telecomandado”. De sua personalidade sabemos que tal situação desagrada a Taur. O que podemos colocar em dúvida é se ele considera dever aceitar para recolher vantagens político-partidárias em futuras e eventuais próximas novas eleições.

É motivo para perguntar: ‘Quo vadis’, Taur? – para onde vais, Taur?

Via “e-Global Notícias em Português” decalcamos um artigo relacionado com a situação abordada e a ocorrer em Timor-Leste. Algo singular mas com o pendor de um Xanana Gusmão que parece considerar-se dono do país e dos timorenses. Um agir doentio que só não permite a muitos constatar a sua dimensão porque a política cumpre o encobrimento – total ou parcial – das “doenças ou vícios” de figuras com imensas responsabilidades no que deve ser a defesa do bem-estar dos povos e da justiça, serenidade, transparência e democracia nos países. (BG | MM | TA)

Ministros “sombra” propostos por Taur Matan Ruak reúnem para preparar programa de governo, Xanana Gusmão ausente

Ministros propostos pelo primeiro-ministro Taur Matan Ruak para integrarem o executivo de Timor-Leste, e até ao momento recusados pelo presidente Francisco Lu-Olo por alegado envolvimento em actos de corrupção, reuniram-se com o executivo para prepararem o programa de governo que terá de ser entregue ao parlamento nacional até dia 22 de julho próximo.  

A reunião decorreu este fim de semana, em Maubara,   município de Liquiçá, tendo estado presentes Francisco Kalbuady Lay, secretário-geral do CNRT, proposto para número 3 do governo de Timor-Leste; Hélder Lopes, nome proposto para o cargo de ministro das finanças; e Virgílio Smith, nome proposto para ministro dos assuntos veteranos.

Há indicações de que o número 2 do executivo timorense, Xanana Gusmão, esteve ausente da reunião de preparação do programa de governo.

Refira-se que o parlamento timorense exortou o primeiro-ministro Taur Matan Ruak a apresentar o programa do governo até 22 de Julho do corrente, sob pena de realização de “novas eleições” no país.

Nesse sentido Duarte Nunes líder da bancada do CNRT, a maior bancada parlamentar da coligação, AMP, que venceu as legislativas de Maio passado, declarou ontem que: “Se o governo não apresenta os seus programas dentro de 10 dias, então nós estamos indo para outras eleições”.

e-Global Notícias em Português, com foto
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Publicação luso-timorense sem fins lucrativos

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