domingo, 7 de maio de 2017

Fátima é "a expressão católica de maior envergadura" em Macau -- jesuíta

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Macau, China, 07 mai (Lusa) -- O antigo superior da Companhia de Jesus, padre Luís Sequeira, considera que a procissão de Nossa Senhora de Fátima em Macau é a que atrai mais pessoas e constitui a maior manifestação pública católica no território.

"Sem dúvida nenhuma que a expressão religiosa [católica] de maior envergadura é a de Nossa Senhora de Fátima. A procissão é a que tem maior número de gente, não só da terra como de Hong Kong, do próprio continente (China), de alguns países aqui à volta, como a Malásia e a Indonésia, há grupos que vêm, até das Filipinas", diz à agência Lusa, salientando que há também macaenses que vivem fora e que, "por esta altura, até dão cá um salto".

Macau tem quase 645 mil pessoas, com a comunidade católica está estimada em cerca de 30 mil. A primeira procissão de Nossa Senhora de Fátima aconteceu em 1929.

O centenário das aparições será assinalado este ano com "alguma solenidade", "mais do que é habitual" em Macau, diz o jesuíta, que é também assistente eclesiástico da congregação de Nossa Senhora de Fátima.

A principal novidade é a missa e a novena serem rezadas na Sé Catedral de Macau, e não na Igreja de São Domingos, como habitual -- a procissão depois segue até à Ermida da Penha. É na Sé que está uma das mais imponentes imagens de Nossa Senhora de Fátima em Macau, com a inscrição "Rainha do Mundo, Mãe de Portugal, Amparai Macau".

A expectativa é que a procissão, que a par da do Senhor Bom Jesus dos Passos é das mais participadas, atraia ainda mais gente, dado que, ao longo do último ano realizaram-se atividades para assinalar o centenário.

Durante 12 meses a imagem peregrina da Nossa Senhora visitou 12 igrejas da cidade, ficando um mês em cada uma.

"Correu muito bem, com muito respeito e veneração, para expressar e ajudar a comunidade a sentir esta devoção a Nossa Senhora de Fátima", explica Sequeira. Esta atividade foi acompanhada de "algumas publicações" e produção de "medalhões próprios" para "ajudar as pessoas a perceber por dentro o sentido do centenário".

A igreja visitou ainda colégios, gerando a expectativa de conseguir atrair um "bom grupinho de alunos" para a procissão.

"Creio que entre 2.500 e 3.500 [participantes] é bastante habitual (...) Com este esforço de comunicação, penso que mais gente virá", diz.

Apesar de a procissão de Fátima ser "uma coisa muito ligada à comunidade portuguesa", o objetivo de "trazer uma participação mais vasta da comunidade" está a ser alcançado.

"O grupo central coordenador, que era tipicamente português, macaense, já está a abrir para meninas e senhoras chinesas (...) Há uma evolução e penso que é de manter", indica.

"Dá-me felicidade perceber que já não é o meu país, a minha cultura, que assume a dimensão espiritual através de uma devoção que é Nossa Senhora, mas é a própria comunidade chinesa local, que é maioritária", comenta o português, que já completou 40 anos em Macau.

Essa abertura, sublinha, deve também ser feita às comunidades falantes de inglês, nomeadamente a filipina, composta maioritariamente por trabalhadores não-residentes, que em março eram cerca de 27 mil. Em 2014, quando os filipinos eram 21 mil, a Diocese reconhecia cerca de 10 mil como católicos.

É preciso "mais atenção à comunidade filipina, tem de ter os seus lugares de culto, a parte pastoral talvez pudesse melhorar, mas já têm padres com eles. Mesmo que a maioria sejam empregados, estejam em serviços, mas é a comunidade cristã (...) Há um crescimento da multiculturalidade ou internacionalidade da própria expressão cristã aqui em Macau", alerta.

O centenário de Fátima será também assinalado em Macau pela Universidade de São José (que pertence à Fundação Católica, instituída pela Universidade Católica de Portugal e pela Diocese de Macau), através de uma mesa redonda, no dia 11 de maio.

Um dos oradores será o reitor da Universidade, o padre Peter Stilwell, que destaca que o culto a Fátima, cuja expressão máxima é a procissão de 13 de maio, "extravasou a comunidade de língua portuguesa".

"Tenho feito a procissão todos os anos, e se olharmos à volta vemos gente claramente de origem portuguesa, depois há gente dos países lusófonos e depois, porque o terço é rezado em três línguas -- português, inglês e chinês --, percebemos que há pessoas que só rezam em inglês, outras que só rezam em chinês. Isto significa que extravasou a comunidade de língua portuguesa", diz Stilwell, em Macau desde 2012.

O reitor considera que as atividades realizadas ao longo do último ano ajudaram a "mobilizar a consciência das comunidades".

"Creio que a procissão sairá reforçada por causa disso, há um acordar da consciência das pessoas para o centenário, se não podia passar despercebido", comenta.

ISG // PJA
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