sábado, 12 de maio de 2018

Filas, dedos roxos e grande vontade de votar

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Díli, 12 mai (Lusa) - Timor-Leste saiu hoje para votar em grandes números em eleições antecipadas, sem precedentes no país, com longas filas e relatos de normalidade na votação apesar de denúncias de pequenos incidentes e casos que, segundo os órgãos eleitorais, não afetaram o voto.

Com o maior número de eleitores de sempre, o maior número de centros de votação da história e depois de uma campanha intensa - a concluir um período de grande tensão política que forçou as legislativas antecipadas - o dia acabou por ser de tranquilidade.

Nuvens em Díli, chuvas em vários municípios, ajudaram a baixar a temperatura pelo menos nas ruas, já que nas redes sociais onde além das fotos da jornada eleitoral, se multiplicavam rumores, supostas denúncias e referências a pequenos casos, que colocaram várias vezes a oposição e os órgãos eleitorais a trocarem recados.

Questões como a facilidade com se poderia ou não retirar a tinta roxa com que os votantes têm os seus indicadores marcados, ou alguma tensão no hospital - onde nem todos puderam votar porque a lei define que só que se inscreveu 10 dias antes pode beneficiar da urna ambulante.

O próprio líder da oposição, Xanana Gusmão, referiu a questão da tinta mostrando aos jornalistas um vídeo em que uma suposta eleitora tinha conseguido remover a tinta do dedo.

Oferecido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a tinta indelével é apenas um dos métodos para certificar a votação ou não votação no dia de hoje.

Ainda assim os responsáveis eleitorais e observadores não referiram até ao momento qualquer incidente grave que possa por em risco o voto em si.

Evidentes em vários pontos foi a elevada afluência, com muita gente a alinhar-se desde bem cedo e outra a ter que ficar várias horas nas filas.

Comoro, por exemplo, é o suco com maior número de eleitores em Timor-Leste - estão recenseados 28.416 -, inserido no posto administrativo com mais votantes (são 71 mil ou quase metade de todos os de Díli.

Em março 2017, nas eleições presidenciais, havia tanta gente para votar que ás 15:00 tiveram que fechar os portões de um dos centros de votação, na Escola 30 de Agosto, ainda com centenas de pessoas para votar.

Uns meses depois, nas legislativas de julho, esta foi uma das zonas com abstenção mais elevada.

Mas hoje os eleitores voltaram em força e longas filas, algumas já com algumas horas de espera, eram visíveis quando faltavam apenas duas horas para o fecho das urnas.

No recinto escolar, onde as nuvens do dia meio encoberto de hoje e algumas árvores frondosas ajudavam a que a espera não fosse tão difícil, fazia-se algum negócio.

De um lado a vendedora ambulante mais tradicional, com duas mesas toscas de madeira, dois recipientes com café e duas caixas com fritos e bolos.

Ao lado, a carrinha de venda ambulante do projeto Delicious Timor, que tenta reinventar a comida tradicional timorense.

Aqui e ali, grupos de pessoas a conversar, a passar uma tarde tranquila de sábado, antes de um fim de semana de contagem de votos.

ASP // PJA
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Publicação luso-timorense sem fins lucrativos

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