terça-feira, 7 de março de 2017

LU-OLO PROMETE QUE À TERCEIRA É DE VEZ

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Díli, 07 mar (Lusa) - Francisco Guterres Lu-Olo está confiante que há mesmo duas sem três e que no próximo dia 20 de março vai vencer as eleições presidenciais timorenses à primeira volta, mercê do apoio dos dois maiores partidos do país.

"Estou a desfrutar de muito mais apoio do que há cinco anos atrás. Na altura a situação era ainda muito agitada, com a candidatura do atual Presidente da República, que saiu das forças armadas", explicou em entrevista à Lusa.

"Eram duas figuras da resistência e havia até alguma tensão. E quem tinha andado connosco na guerra não sabia em quem votar", refere.

Cinco anos depois apoiantes mas também adversários admitem que este será o ano de Lu-Olo, depois de duas tentativas falhadas, em 2007 e 2012, onde sempre ganhou na primeira volta para acabar derrotado na segunda.

Em 2007 alcançou 28% dos votos na primeira volta mas acabou por perder para José-Ramos Horta na segunda e cinco anos depois volta a ganhar à primeira para perder na segunda, desta vez para Taur Matan Ruak.

Agora, explica, as coisas serão diferentes, tanto pelo número de militantes que garante que a Fretilin (Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente) já registou - "são cerca de 290 mil" (num universo de 750 mil eleitores) - como pelo apoio de Xanana Gusmão e do Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT). Em 2012 os dois partidos, juntos, tiveram quase 67% dos votos.

"O partido CNRT e outros partidos mais pequenos apoiam-me, os veteranos também começam a movimentar-se, a falar sobre a minha candidatura e por isso penso que poderei chegar à vitória. Estou confiante com base nos dados que tenho", explicou.

Presidente da Assembleia Constituinte e do Parlamento Nacional - período em que completou o seu curso de direito - Lu-Olo, 62 anos, esteve ativo na luta contra a ocupação indonésia desde 1975, tanto nas estruturas de liderança da Fretilin como integrado nas Falintil, o braço armado da resistência.

Numa conversa de antecipação da campanha, rejeitou que seja apenas um candidato da velha geração mas, ao mesmo tempo, que se considere que os mais velhos deixaram de ser necessários para o país.

"A nova geração tem que começar a afirmar-se cada vez mais, mas isto não significa que a nova geração negue a oportunidade aos velhos", defendeu.

Timor-Leste, insistiu, ainda está a construir o seu Estado e nesse processo "a velha geração ainda tem um papel muito importante", especialmente em circunstâncias como as atuais em que, diz, os líderes históricos "estão unidos" e empenhados em "garantir a paz e a estabilidade e desenvolver o país".

O homem que entregou a arma com que lutou contra os indonésios a 26 de novembro de 2000, insiste que a busca de consenso continua a ser "a melhor solução para Timor-Leste" onde, insiste, não há ainda condições para uma democracia clássica e onde todos devem trabalhar juntos na busca de soluções.

"Diálogo constante em busca de consenso é muito importante para este país. A democracia às vezes divide-nos porque nem todos sabem assumir o valor desta democracia", explicou. "Neste momento é ainda muito importante unirmos as nossas vontades para continuar na construção do estado de direito e desenvolver o país e depois, daqui a 10 ou 20 anos, a situação mudará e a outra geração tentará situar e entender o significado da democracia no seu próprio tempo", afirmou.

Considerando que "não é normal" a tensão que tem havido nos últimos anos entre os órgãos de soberania timorenses, Lu-Olo diz que os três presidentes desde a restauração da independência (Xanana Gusmão, José Ramos-Horta e Taur Matan Ruak) foram todos seus companheiros de luta.

Todos tiveram modos de governar diferentes, disse, mas quem está nessas funções "não pode exercer o poder político apenas com o seu próprio caracter" porque há regras a respeitar.

E garante que ao contrário de Xanana Gusmão e, ao que tudo indica Taur Matan, Ruak, não precisa de estar na Presidência e pensar em criar um partido político.

"Xanana Gusmão criou o seu partido. Só Ramos-Horta é que não pensou criar um partido dele. Já ouvimos dizer que o atual PR também ver ter o seu partido para concorrer como candidato a primeiro-ministro", explicou.

"Eu não preciso de ciar um partido meu. Já tenho o meu partido que é a Fretilin. E não tenho que pensar em criar um partido no palácio presidencial", referiu.

Lu-Olo explica que vai incidir a sua mensagem de campanha a explicar à população que será "o Presidente de todos e para todos", comprometido em "assegurar a paz e a estabilidade e desenvolver o pais, juntamente com os outros órgãos de soberania".

"E vou dizer também que respeitarei a competência de outros órgãos de soberania e cumprirei as minhas funções de acordo com a constituição", afirmou, explicando que pedirá calma e um não à violência.

"E direi que com um Presidente certo, um primeiro-ministro competente e um Parlamento Nacional em busca de diálogo permanente e de consenso poderemos levar um país para a frente", referiu.

ASP // PJA
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Publicação luso-timorense sem fins lucrativos

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