segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Universidade timorense inicia preparação de alunos para educação inclusiva

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Díli, 20 fev (Lusa) - A Universidade Nacional Timor Lorosa'e (UNTL) vai incluir uma disciplina obrigatória sobre pedagogia e didática da educação inclusiva, no âmbito de um projeto mais amplo para apoiar alunos com necessidades especiais educativas.

O anúncio foi feito hoje pelo reitor da UNTL, Francisco Martins, que explicou que a formação modular vai ser integrada em todos os cursos da Faculdade de Educação, Arte e Humanidades e institucionalizar este componente na formação dos professores de jardim-de-infância.

"Estratégias para preparar os nosso estudantes e futuros educadores de Timor-Leste na área da educação inclusiva fornecendo informação e estratégias pedagógicas e de intervenção de modo a que saibam atuar adequadamente nas salas de aula caso tenham alunos com deficiência e/ou necessidades educativas especiais", referiu.

Francisco Miguel Martins falava no arranque do 1.º ciclo de cinema sobre a deficiência, no âmbito de uma ação de sensibilização da UNTL que pretende trazer ao espaço universitário o debate sobre esta temática.

Numa mensagem lida no arranque do festival, o bispo de Baucau e presidente da Conferência Episcopal de Timor-Leste, Basílio do Nascimento, destacou os avanços conseguidos no passado recente para recolher o valor e o papel importante que os portadores de deficiência podem ter.

Basílio do Nascimento recordou, por exemplo, que a construção de rampas para deficientes com mobilidade reduzida é ainda muito recente e que em muitos locais continua a não haver condições adaptadas.

"A deficiência deixou de ser uma razão de exclusão na sociedade e passou a ser uma razão de admiração e de engrandecimento da própria sociedade humana", afirmou.

O prelado saudou os que continuam a trabalhar para permitir uma maior integração aos deficientes timorenses, referindo neste caso o papel do professor português, Hélder do Carmo, que deu o pontapé de saída em toda a iniciativa.

Hélder do Carmo veio para Timor-Leste em 2014 com a mulher e criou vários projetos para apoiar deficientes, em áreas tão diversas como ensino do português, basquetebol em cadeira de rodas, natação adaptada, mergulho inclusivo e rastreio de saúde auditiva.

Depois de vários pedidos de apoio em Timor-Leste e Portugal - que ficaram sem resposta - surgiu a oportunidade de avançar com a iniciativa na UNTL que agora vai ver nascer um Centro Académico para a Inclusão (CAPI).

Isabel Ferreira, primeira-dama, aproveitou a sua intervenção para apelar ao Estado para dar mais atenção às necessidades especificas de cidadãos portadores de deficiência, considerando que é essencial garantir o seu acesso á educação e outros serviços.

Cidadãos portadores de deficiência, disse, devem ter oportunidade de acesso para "assim poderem ter o seu papel ativo no desenvolvimento nacional".

Miguel Maia, pró-reitor de Provedoria e Aconselhamento, destacou a importância de avançar para um sistema educativo onde se consiga responder às necessidades educativas especiais.

"Estamos na formação do Centro Académico para a Inclusão (CAPI), que tratará de procurar respostas pedagogicamente adequadas para os alunos com deficiência e/ou necessidades educativas especiais da UNTL", refere.

"Mas também para levar a ação para fora da UNTL, intervindo diretamente na sociedade e noutras escolas que possam acolher alunos com necessidades educativas especiais", disse ainda.

ASP // SB
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Publicação luso-timorense sem fins lucrativos

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