quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Líderes timorenses apelam à paz, tolerância e estabilidade nos processos eleitorais deste ano

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Díli, 09 fev (Lusa) - Responsáveis de várias instituições do Estado timorense apelaram hoje aos líderes políticos, candidatos e aos cidadãos em geral para que garantam um ambiente de tolerância, estabilidade e paz nas eleições deste ano em Timor-Leste.

Os apelos foram deixados num encontro subordinado ao tema "paz, justiça e tolerância para consolidar a independência nacional", promovido pelo Gabinete de Apoio ao Cônjuge do Presidente da República em parceria com a Fundação do Centro Quesadhip Ruak.

"É preciso que cada cidadão saiba que o processo eleitoral faz parte da escolha do cidadão nesse contrato social com o Estado. O Estado é a única instituição que tem o monopólio da violência para impor a ordem, a estabilidade e a paz no país", disse à Lusa o primeiro-ministro, Rui Araújo, à margem do debate.

Considerando que os líderes políticos "devem assumir a responsabilidade de não recorrer à violência como forma de ganhar votos", Rui Araújo disse que a alternância democrática faz parte do processo de construção do Estado.

E sublinhou que as últimas eleições, para as autoridades locais no final do ano passado, mostraram que "o eleitorado está farto de violência e está consciente de que tem o dever cívico de participar num ato eleitoral de forma cívica, sem recorrer à violência para fazer valer os seus pontos de vista".

Ainda assim reconheceu que "há sempre riscos" inclusive violência verbal que pode gerar alguma instabilidade, casos em que, se for necessário, atuarão as forças de segurança.

Aos participantes do encontro o chefe do Governo disse que o ambiente de "tolerância, estabilidade e paz" depende, em grande parte, da forma como atuarem os líderes, militantes e simpatizantes dos partidos e forças políticas.

"A violência ou estabilidade não ocorre se não for instigada ou incitada. Os líderes, militantes e simpatizantes dos partidos políticos devem disseminar a defesa do seu programa e tentar convencer os eleitores, sem obrigar ou manipular para obter o voto", afirmou.

O êxito eleitoral depende também "do rigor, integridade e imparcialidade" dos órgãos de administração eleitoral, STAE e CNE e da capacidade das forças de segurança, PNTL e F-FDTL, serem "firmes e isentas" na sua "capacidade de antecipar e neutralizar o risco de instabilidade ou insegurança pública".

Intervindo no mesmo encontro, Dionísio Babo, ministro de Estado, Coordenador dos Assuntos Administração do Estado e da Justiça e ministro da Administração Estatal insistiu na responsabilidade dos líderes políticos em garantir "que o discurso político decorre num ambiente saudável, de debate de ideias e programas", necessário para a transição entre gerações.

"Timor-Leste tem tido excelentes resultados nos processos eleitorais, realizando eleições livres e justas, com sentido de grande liberdade eleitoral, num processo de transferência ordeira", afirmou.

O atual momento eleitoral, disse, deve ser ainda aproveitado para respeitar e promover o pluralismo e a igualdade de género, construindo sobre o recente resultado das eleições locais onde o número de mulheres eleitas aumentou mais de 100%.

No mesmo encontro, o bispo de Díli, Virgílio do Carmo da Silva, insistiu numa mensagem de defesa da paz e da instabilidade, afirmando que "a violência não tem qualquer papel na festa da democracia".

O prelado deixou ainda uma mensagem aos jornalistas que devem escrever "com verdade e justiça", na cobertura que fazem do processo eleitoral.

Júlio Hornay, comandante-geral da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL), disse que as forças de segurança estão preparadas para, cumprindo o seu mandato, garantir a segurança em todo o país, trabalhando em cada suco com as autoridades locais e a comunidade.

Hornay apelou às famílias timorenses e aos chefes locais para que acompanhem a situação nas suas zonas, ajudando a apoiar os jovens e a informar a polícia em caso de se registarem atos violentos.

"Estamos preparados, em coordenação com as F-FDTL (Forças de Defesa) para assegurar que o processo eleitoral para as eleições decore sem problemas. Teremos efetivos em todo o território para prevenir violência e ajudar a resolver problemas que possam surgir", disse.

A mensagem foi ecoada pelo chefe do Estado-Maior general das Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL), o major-general Lere Anan Timur, que disse que as eleições deste ano são "mais um teste à maturidade de Timor-Leste".

"Sem paz e estabilidade não teremos eleições como deve ser. E se isso não acontecer seremos um estado falhado. É um teste para saber se Timor-Leste tem maturidade política ou se precisa de tutela dos outros", afirmou.

ASP // FV. - Foto: GPM
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Publicação luso-timorense sem fins lucrativos

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