terça-feira, 20 de março de 2018

Oposição timorense critica subvenção a candidatos presidenciais aprovada pelo Governo

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Díli, 20 mar (Lusa) - Os três partidos da oposição no parlamento timorense, que está dissolvido, lamentaram hoje que o Governo tenha "preferido", numa altura de duodécimos, gastar dinheiro do Estado a pagar aos candidatos presidenciais do que a assegurar serviços públicos.

A crítica foi feita em conferência de imprensa conjunta do Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), do Partido Libertação Popular (PLP) e do Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO) no Parlamento Nacional, hoje.

Os três partidos consideram a decisão um "grave conflito de interesse" e uma decisão "lamentável", num momento em que "o país está a fazer um grande esforço de poupança e a viver com o regime duodecimal".

"O Governo está sem orçamento, o Ministério da Saúde está sem orçamento para pagar hospitais no estrangeiro, mas o Governo de gestão liderado por Mari Alkatiri prefere gastar dinheiro nos candidatos do que assegurar um serviço público ao povo de Timor-Leste", refere o comunicado conjunto.

Em fevereiro, o Governo timorense aprovou um decreto em que determina o pagamento de um valor de 4 dólares (3,24 euros) por voto como subvenção aos partidos políticos e candidatos presidenciais.

"O cálculo do valor total da subvenção será realizado em razão do número total de votos obtidos pelos partidos políticos conforme o acórdão judicial que validou a eleição, proclamando os resultados eleitorais", explicou na altura o executivo.

Fonte do executivo confirmou à Lusa que foi deliberado que os candidatos presidenciais às eleições de 20 de março do ano passado receberiam esses fundos de forma imediata.

Os partidos políticos receberão igualmente 4 dólares por voto obtido nas eleições legislativas de 22 de julho passado, mas esse valor só lhes será entregue quando for aprovado o Orçamento Geral do Estado de 2018.

No caso do Presidente Lu-Olo, líder da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) que venceu as eleições, isso implica receber um total de 1,18 milhões de dólares (955 mil euros) pelos mais de 295 mil votos que recebeu.

O segundo classificado, António da Conceição - dirigente do Partido Democrático (PD) e que é atualmente ministro do Comércio e Industria no Governo liderado pela Fretilin - receberá mais de 671 mil dólares (543 mil euros) pelos seus quase 168 mil votos.

José Luís Guterres receberá 54 mil dólares (13.500 votos, quase 44 mil euros), José Neves (que também está no Governo) receberá cerca de 45 mil dólares (11.660 votos, cerca de 36 mil euros), Luis Tilman praticamente o mesmo e Antonio Maher Lopes cerca de 36 mil dólares (29 mil euros).

ASP. // JH
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Publicação luso-timorense sem fins lucrativos

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