Díli, 22 jan (Lusa) -- Uma
deputada do partido KHUNTO, um dos três da coligação do Governo timorense,
defendeu hoje que se deveria "excluir definitivamente o uso do
português" nos debates parlamentares, para facilitar a compreensão dos
deputados.
Olinda Guterres considerou que
deveria ser abolida a regra, definida no regimento do parlamento, que determina
o uso do português -- uma das duas línguas oficiais de Timor-Leste - no debate
do plenário em duas sessões por mês.
"A bancada do KHUNTO defende
excluir definitivamente o uso do português nos debates parlamentes para
facilitar a participação dos deputados e a compreensão e o envolvimento ativo
do povo em geral em todos os debates", defendeu, numa intervenção em
português claro e correto.
A posição foi apoiada por
Patrocínio dos Reis, do Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT) --
maior partido da coligação do Governo -- que defendeu uma "revisão da
regra do plenário em língua portuguesa" e mais "flexibilidade".
Apesar das preocupações
levantadas por Olinda Guterres, durante a sessão plenária de hoje, tanto o
vice-presidente do Parlamento, Luís Roberto da Silva (também do KHUNTO) como
vários outros deputados intervieram em português e associaram-se às críticas à
ideia da deputada, acabando por tornar o debate numa defesa da língua
portuguesa.
Elvina de Sousa (Partido
Democrático) defendeu o uso do português afirmando que tem havido flexibilidade
quando alguém tem mais dificuldades com o idioma, mas que é crucial fazer
respeitar as regras.
"Quando há dificuldades
usamos tétum. Não há dúvidas. Se, como representantes do povo, estamos sempre a
questionar este assunto, como vamos desenvolver este pais", disse.
Lídia Norberta Martins (Fretilin)
afirmou que todos os órgãos de soberania, incluindo o parlamento, e o povo,
"têm obrigação de defender o princípio consagrado na constituição"
sobre o português.
"Se nós próprios não
fizermos o que está estipulado na constituição e na lei, se propusermos
eliminar isto, automaticamente enquanto órgão de soberania estamos a
enfraquecer o desenvolvimento do país", disse.
"Alguns de nós sabemos
português e outros não. Mas os nossos filhos já começaram a reaprender português.
Não podemos usar as dificuldades enfrentadas para dizer que temos que
recuar", afirmou.
Josefa Pereira (Fretilin) também
contestou Olinda Guterres, considerando ter sido uma "intervenção
bombástica" que foi feita "sem pensar quer no passado quer no futuro
(....) sem pensar nas relações com o mundo".
O português "foi a língua da
luta" e é essencial, disse, para comunicar com o mundo e para a
"existência" de Timor.
ASP//MIM
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