Macau,
China, 31 ago (Lusa) -- A maior associação pró-democracia do território, a Novo
Macau, exigiu hoje que o chefe do executivo seja responsabilizado pelas
consequências do tufão Hato que, a 23 de agosto, matou dez pessoas e causou
prejuízos avultados.
Em
comunicado, a Associação Novo Macau (ANM) disse que, apesar de o Hato ter sido
um desastre natural, muitos dos efeitos foram "causados por humanos,
causados pelo Governo e especificamente pelo próprio chefe do executivo",
pelo que a ANM "exige" que o líder do Governo "seja
responsabilizado".
A
associação listou vários pontos críticos que considera serem, de forma direta
ou indireta, responsabilidade de Chui Sai On, a começar pelos Serviços
Meteorológicos e Geofísicos (SMG), que "falharam terrivelmente na previsão
dos danos que o Hato podia trazer e fizeram com que o público subestimasse o
perigo do tufão".
Macau
içou o sinal 3 de tempestade tropical às 03:00 de dia 23 (20:00 de terça-feira
em Lisboa), elevando-o para 8 seis horas depois. Passada uma hora e meia foi
hasteado o sinal 9 e somente 45 minutos depois içado o sinal máximo (10). O
curto intervalo de tempo entre sinais, em particular atendendo à velocidade a
que se movia o tufão, tem gerado dúvidas sobre a capacidade de previsão dos SMG.
No
dia seguinte à passagem do tufão, o diretor dos SMG demitiu-se. Fong Soi Kun já
tinha estado debaixo de fogo noutras ocasiões devido ao 'timing' do hastear dos
sinais de tempestade tropical.
No
comunicado, a ANM lembrou que, apesar de vários pedidos para o seu afastamento
no passado, o mandato de Fong foi renovado por Chui em agosto do ano passado.
A
associação, que elegeu dois deputados para a Assembleia Legislativa em 2013,
recordou também que o Governo estabeleceu "um sistema de previsão e alarme
para desastres naturais ou públicos em 2009 e uma comissão para lidar com
desastres em 2012", no entanto, tal sistema "nunca foi usado neste
incidente".
"O
chefe do executivo deve ser responsabilizado pela sua inação", acrescentou
no comunicado.
Quanto
às inundações na zona ribeirinha do Porto Interior, a ANM criticou Chui Sai On
por nunca "iniciar um projeto para construir infraestruturas que impeçam
inundações".
"Este
atraso na construção da necessária infraestrutura causou diretamente mortes e perdas
económicas na semana passada", prosseguiu a ANM.
Já
o corte de energia causado pelo tufão "reflete quão dependente Macau está
da China", já que, "durante esta administração", a proporção de
eletricidade adquirida à China "aumentou de 10 para 90%, tornando Macau
vulnerável caso o abastecimento de energia do exterior não seja estável ou
fique danificado".
Por
fim, a ANM afirmou que a Proteção Civil "falhou em responder de forma
eficaz no salvamento de vidas ou a mobilizar e cooperar com os cidadãos para
limpar as ruas".
A
culpa "é sem dúvida" de Chui, por liderar sistema de proteção civil,
considerou.
Membros
da ANM integram algumas das 24 listas candidatas por sufrágio direto às
eleições de 17 de setembro para a Assembleia Legislativa (AL) de Macau.
A
AL é composta por 33 deputados, dos quais 14 eleitos por sufrágio universal e
12 por sufrágio indireto, além de sete posteriormente nomeados pelo chefe do
executivo de Macau.
ISG
(DM) // EL
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