domingo, 17 de junho de 2018

'Barcos Dragão" reforçam integração de portugueses em Macau

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Macau, China, 16 jun (Lusa) - Uma equipa feminina do Instituto Português do Oriente (IPOR) estreou-se hoje nas corridas "Barcos Dragão", em Macau, como forma de reforçar a integração na comunidade daquele território administrado pelos chineses, explicou à Lusa uma das participantes.

"Eu acho que uma equipa totalmente portuguesa de uma instituição portuguesa poder participar num campeonato destes, que é uma coisa local da China, de Macau. Traz uma grande energia e uma grande mensagem para os chineses em geral e para Macau: quer dizer que nós nos integramos, nós fazemos parte da comunidade", disse a vogal da direção do IPOR Patrícia Ribeiro.

Para Patrícia Ribeiro, viver este tipo de competições fortalece os laços entre a comunidade portuguesa e a chinesa.

"Participar nestas competições serve exatamente para demonstrar que também fazemos parte deles. Somos bem recebidos aqui em Macau", considerou a funcionária do instituto, que tem como uma das principais missões difundir a língua e a cultura portuguesas no Oriente.

A exemplo dos últimos anos, o Instituto Português do Oriente voltou a abrir as portas para que a comunidade possa acompanhar os jogos da seleção portuguesa no Mundial2018 de futebol.

Apesar da dificuldade do fuso horário (em Macau o fuso é de mais sete horas do que em Lisboa), a grande maioria das colegas da embarcação assistiu ao embate contra a Espanha, em que Cristiano Ronaldo marcou os três golos do empate de Portugal com a Espanha (3-3).

"A nossa inspiração [...], a nossa musa inspiradora é o Cristiano Ronaldo, porque ele tem uma força e uma energia que nos transmitiu agora nesta prova", confessou, sorridente, Patrícia Ribeiro.

O IPOR foi a única equipa portuguesa a participar neste evento, mas dentro de algumas equipas de Macau há também portugueses que se juntam à população local.

Foi o caso de Rodrigo de Matos, residente em Macau há oito anos -- este ano teve "um clique" e decidiu participar naquela que considera ser "uma grande festa".

"Este ano comecei a trabalhei no Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais de Macau (IACM), que é uma espécie de câmara municipal aqui de Macau, e soube que eles tinham uma equipa de 'Barcos Dragão' e a precisar de novos atletas para fazer uma reciclagem, de maneira que vim experimentar e gostei", contou Rodrigo de Matos, antes do início da sua prova.

"Isto é um evento com uma certa tradição. Será para este território comparável às corridas de remo, em Inglaterra, nos célebres duelos entre Oxford e Cambridge. A diferença é que estas são umas regatas internacionais", explicou o funcionário do IACM.

Durante o dia de hoje e até domingo realizam-se as regatas locais de pequenas e grandes embarcações para entidades públicas de Macau, universitárias e dos trabalhadores da função pública, num total de 140 equipas.

Já as grandes provas internacionais vão ter lugar na segunda-feira, com a participação de equipas estrangeiras a competirem na Regata Internacional de Barcos Dragão de Macau para Grandes Embarcações, na categoria Open e na categoria feminina.

"O número de equipas que participam são cerca de 160", disse à Lusa a secretária-geral da comissão organizadora dos "Barcos Dragão".

Inicialmente estas provas eram planeadas de forma voluntária por organizações não-governamentais, mas desde 1979 esta atividade passou a ser promovida de forma anual, incluindo uma regata internacional de barcos dragão, em que equipas de diferentes países têm sido convidadas a participar.

Desde o estabelecimento da Região Administrativa Especial de Macau que a Regata Internacional de Barcos Dragão de Macau é organizada em conjunto pelo Instituto do Desporto e pela Associação de Barcos Dragão de Macau, China.

A festividade tem origem numa lenda sobre um alto e leal funcionário do reino de Chu, de nome Qu Yuan, que se terá lançado ao rio pondo termo à sua vida, após ter visto o rei recusar as suas propostas por causa de intrigas.

Caindo em desgraça perante o soberano, Qu Yuan partiu para o exílio, altura em que compôs vários poemas a expressar a sua revolta por não poder continuar a servir o seu país, e mais tarde decidiu suicidar-se.

Dada a estima que nutriam pelo patriótico e justo "poeta", os habitantes locais remaram nos seus barcos de madeira para a zona, fazendo com que os barcos dragão simbolizem a busca pelo salvamento de Qu Yuan.

MIM // ROC
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Publicação luso-timorense sem fins lucrativos

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