segunda-feira, 9 de julho de 2018

Primeiro-ministro timorense convicto que diálogo com Presidente vai resolver impasse político

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Dílli, 09 jul (Lusa) - O primeiro-ministro timorense disse hoje estar convicto de que o diálogo com o Presidente vai resolver o impasse político em Timor-Leste, causado pelo atraso na tomada de posse do novo Governo.

"Estamos convictos de que com a manutenção e aprofundamento do diálogo já estabelecido entre o chefe de Estado e o chefe de Governo, acerca das personalidades que devem ser nomeadas para integrar o Governo, iremos brevemente ultrapassar o atual impasse político e deverão ficar concluídas a nomeação e posse dos restantes membros do Governo", disse Taur Matan Ruak, em Díli.

"Estou seguro que dentro do quadro de normalidade constitucional, de que todos nos orgulhamos, e pautados pelos princípios do respeito e da lealdade institucionais, o chefe de Estado e o chefe do Governo continuarão a dialogar na procura de soluções e de compromissos que viabilizem, tão rapidamente quanto possível, a conclusão da formação do VIII Governo Constitucional", insistiu.

O primeiro-ministro falava no Palácio Presidencial durante a tomada de posse de Filomeno Paixão, ex-número dois das Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL), como ministro da Defesa do VIII Governo, e quando faltam ser empossados uma dezena de elementos do executivo.

A formação do novo Governo tem estado num impasse, com Lu-Olo a recusar dar posse a 11 dos membros nomeados pela Aliança de Mudança para o Progresso (AMP) e pelo primeiro-ministro, Taur Matan Ruak, nove por alegadamente terem "o seu nome identificado nas instâncias judiciais competentes" e dois por possuírem "um perfil ético controverso".

Hoje deviam ter tomado posse Xanana Gusmão como ministro de Estado, conselheiro do primeiro-ministro e ministro de Planeamento e Investimento Estratégico, Alfredo Pires como ministro do Petróleo e Minerais, e Rogério Araújo Mendonça como secretário de Estado das Pescas.

Contudo, o primeiro-ministro informou oficialmente de que "por razões políticas" Xanana Gusmão, Alfredo Pires e Rogério Araújo Mendonça "não tomariam posse hoje", referiu Lu-Olo. Esta foi a segunda vez que Xanana Gusmão foi nomeado como ministro, com competências alargadas neste segundo decreto, e não foi empossado.

Matan Ruak recordou que o sistema semipresidencial "é exigente e obriga a um esforço permanente de todos os responsáveis políticos" para ajudar a resolver problemas que surjam.

Esse é especialmente o caso "daqueles que são titulares dos órgãos de soberania e que devem procurar dialogar, debater e encontrar soluções de compromisso que viabilizem o funcionamento do Estado e, dessa forma, não obstaculizem ou impeçam o desenvolvimento e a melhoria das condições de vida" da população, disse.

"A democracia não impõe que todos tenhamos que partilhar as mesmas ideias, as mesmas opiniões ou a mesma visão política acerca do futuro do nosso país. Mas o amor que todos, sem exceção, temos pela nossa pátria e pelo nosso povo, impele-nos à constante procura de consensos e soluções equilibradas capazes de satisfazer o interesse público", afirmou.

Sobre a tomada de posse de Paixão, o primeiro-ministro recordou o seu "reconhecido mérito nos serviços prestados (...) durante a luta pela libertação nacional e durante os quase vinte anos de construção de umas Forças de Defesa, modernas, profissionais e eficientes, capazes de dar resposta aos múltiplos desafios de defesa interna e externa".

ASP//FST/EJ | Foto em Independente
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Publicação luso-timorense sem fins lucrativos

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