quinta-feira, 16 de maio de 2019

Arco-íris de lama que conquista ao mar o espaço do novo Porto de Tibar

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António Sampaio, da Agência Lusa

Tibar, Timor-Leste, 15 mai 2019 (Lusa) -- Praticamente 24 horas por dia, todos os dias, há mais de um mês, um jato de terra, pedras e água vai enchendo, metro a metro, o espaço onde vai ser construído o novo Porto de Tibar, nos arredores de Díli.

O 'arco-íris' lamacento, sugado no meio da baía que dá nome ao porto por um poderoso navio de dragagem chinês, o Xin Hai Kun 2, será a base do terminal que vai ser o futuro centro nevrálgico da entrada e saída de mercadorias em Timor-Leste.

"Estamos a avançar bem. Este é o primeiro passo. No final do mês estará concluída parte e tudo estará completo no final do ano", conta à Lusa, num dos pontões da zona reclamada, Pierre-Louis Sapin, responsável de construção, da francesa Bolloré, a concessionária da obra.

Desde que a dragagem começou -- a primeira fase visível de um projeto que tem estado, até agora, numa fase mais interna (de design e preparação) -- as equipas já conquistaram mais de 7,5 hectares da Baía de Tibar.

A zona - que será progressivamente ampliada até aos 18.5 hectares -- o projeto admite aumento até aos 27 hectares - está já elevada a cerca de três metros acima do nível do mar.

Continuará a subir até 5,5 metros, com a terra e pedras retiradas ao leito do mar a serem reforçadas com 600 toneladas de metros cúbicos de pedras que virão, eventualmente, de uma pedreira a cerca de 10 quilómetros.

"É um desafio porque é uma nova atividade. As vezes é difícil garantir a coordenação, mas para já está tudo bem, todos estão a apoiar", explica à Lusa, Rafael Ribeiro, o responsável máximo do Timor Port.

"Este será o maior porto e a primeira parceria público privada e vai ter um impacto positivo, especialmente na importação e exportação de carga. Atualmente o porto de Díli consegue acolher 50 a 60 mil contentores e este tem capacidade para receber até um milhão. É de grande dimensão", explicou.

O projeto tem tido vários 'falsos arranques', tendo uma primeira cerimónia de lançamento de primeira pedra ocorrido em junho de 2017, com uma cerimónia liderada pelo então ministro do Planeamento e Investimento Estratégico, Xanana Gusmão, e responsáveis do consórcio liderado pela francesa Bolloré.

Questões relacionadas quer com o financiamento, quer com a subcontratação acabaram por afetar o arranque.

Agora, com o processo de dragagem e reclamação, há várias semanas que se notam os primeiros trabalhos, com uma longa mangueira a lançar toneladas de água e terra para a zona a reclamar: no total serão retirados mais de 5 milhões de metros cúbicos de terra.

Mais próximo da costa está uma embarcação indonésia, subcontratada, apoiada por duas barcaças de transporte de mil metros cúbicos de capacidade cada, que recolhe e remove o material que não é utilizável, que depois é largado numa lagoa natural, com 65 metros de profundidade, a cerca de dois quilómetros da costa.

Mais à frente o imponente Xin Hai Kun 2, um dos navios de dragagem e sucção (CSD) mais modernos da frota da Shangain Dredging Company (SDC), a maior empresa de dragagem do mundo uma das várias empresas do gigantesco grupo chinês CCCC, grupo este que emprega mais de 100 milhões de pessoas.

Com 114 metros de comprimento e 22 de largura o XIn Hai Kun, que trabalha 24 horas por dias, consegue operar até uma profundidade de 27 metros e tem um poder instalar de mais de 13.600 kilowatts.

O projeto junta empresas de Timor-Leste, da França, da China, da Indonésia, do Brasil, de Portugal e da Austrália e envolve já mais de 200 funcionários, dos quais uma grande fatia de timorenses, número que será aumentado até um máximo de 800 empregos diretos, 500 dos quais locais.

Com uma duração prevista de construção de três anos, é o primeiro grande projeto em modelo de parceria público-privada e o maior projeto de infraestruturas de sempre em Timor-Leste.

Central ao projeto estará um cais, com 630 por quase 60 metros, que inclui uma laje de betão que assenta sobre 602 pilares de ferro enterrados até uma profundidade de 70 metros.

Localizado a cerca de 10 quilómetros a oeste de Díli, na baía de Tibar, o projeto contou com a participação da International Finance Corporation (IFC), do grupo do Banco Mundial.

A primeira fase do projeto (construção, equipamento e operação do porto) está avaliada em 278,3 milhões de dólares (238 milhões de euros), com o Governo timorense a financiar com 129,45 milhões de dólares (110,7 milhões de euros), e o parceiro privado os restantes 148,85 milhões (127,3 milhões de euros).

Na segunda fase, já de exploração, a Bolloré prevê investir cerca de 211,7 milhões de dólares (181,1 milhões de euros), em grande parte provenientes das receitas da atividade portuária.

A Bolloré contratou para a construção do projeto a empresa pública chinesa China Harbour, o Governo timorense é representado por uma Unidade de Gestão de Projeto de quatro Ministérios.

Envolvidas está ainda o consórcio luso-brasileiro das empresas de engenharia EGT e Fase e a australiana Warle Parsons.

ASP // PJA
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Publicação luso-timorense sem fins lucrativos

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