quinta-feira, 19 de abril de 2018

Ex-primeiro-ministro reitera estar "firme" no partido no poder

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Díli, 18 abr (Lusa) - O ex-primeiro-ministro timorense Rui Maria de Araújo garantiu hoje que "se mantém firme" nas fileiras da Fretilin (no poder), apesar de agradecer os cumprimentos de Xanana Gusmão, líder da oposição, com quem já integrou um Governo.

"Fico honrado e até certo ponto lisonjeado por esses cumprimentos de um líder nacional, que não mereço. Mas o líder nacional conhece-me muito bem e sabe que não sou troca tintas", disse à Lusa.

Os comentários de Rui Araújo surgem depois de declarações do anterior primeiro-ministro e atual presidente da Aliança de Mudança para o Progresso (AMP), Xanana Gusmão, que durante a campanha tem louvado o homem que escolheu para o suceder na liderança do Governo, em 2015.

Num comício, realizado na semana passada, Xanana Gusmão 'piscou o olho' a Rui Araújo, sobre quem disse "pensar muito", por considerar que "está metido na lama" do seu partido, a Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin).

"Eu tenho pensado muito no irmão Rui Araújo. Rui, sai da lama. Sai junto dos maus. Eles meteram-te na lama e tu precisas de sair. Amo muito esse irmão do coração. Ele precisa de levantar-se forte", afirmou durante o comício.

As declarações levaram a sugestões de que Rui Araújo podia estar a considerar afastar-se da Fretilin e a aproximar-se da AMP.

"Xanana Gusmão e o secretário-geral da Fretilin conhecem-me bem e sabem que não sou troca tintas. Continuo nas fileiras da Fretilin, optei por ser militante da Fretilin para servir o povo, para me dedicar ao bem público e vou continuar nessa trincheira", declarou Rui Maria de Araújo.

No início de 2015, Xanana Gusmão demitiu-se do cargo de primeiro-ministro do V Governo e convidou para integrar o executivo, liderado pelo Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), vários membros da Fretilin, incluindo Rui Araújo.

Araújo tomou posse como primeiro-ministro, num executivo em que Xanana Gusmão ficou com a pasta de Planeamento e Investimento Estratégico, num período de melhor relacionamento entre o líder histórico timorense e a Fretilin.

Nas legislativas de julho do ano passado, a Fretilin venceu, por uma margem mínima, o CNRT e formou um Governo minoritário com o Partido Democrático (PD) e vários independentes.

Inicialmente, Xanana Gusmão declarou que o CNRT seria oposição, mas o partido acabou por se unir com as duas outras forças da oposição, o Partido Libertação Popular (PLP) de Taur Matan Ruak e o Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO) de José Naimori, para formar a AMP, que se apresentou como alternativa de Governo.

A divisão causou um impasse político que levou o Presidente de Timor-Leste, Francisco Guterres Lu-Olo, a dissolver o parlamento e a convocar eleições antecipadas.A campanha decorre até 09 de maio e o voto a 12 de maio.

ASP // EJ
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Publicação luso-timorense sem fins lucrativos

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